Mesa em frente à lousa verde com uma pilha de livros e maçã verde em cima.
Mesa em frente à lousa verde com uma pilha de livros ao lado. Em cima dos livros, dois pedaços de giz branco e uma maçã verde.

Por Carla Codeço

Chegou o primeiro dia de aula. O menino entrou na sala junto com seus coleguinhas de quatro anos.

Mas, como ele era diferente, a escola pediu que seu pai mandasse uma pessoa para intermediar a relação entre aluno e professor. Mas não era só mais uma criança na turma de 15 alunos?! Não, no caso dele, era diferente, dizia a escola. “Mas existem duas crianças iguais?”, indagava seu pai.

Não tendo outra opção, e com medo de seu filho ser rejeitado, o pai submeteu-se às regras.

Chegou o tal dia. Ao assistir seu filho animado com a nova rotina, carregando sua mochila todo orgulhoso e entrando na sala, ele não pôde conter a emoção.

Havia várias crianças enfrentando aquele mesmo desafio: escola nova, professor novo, material e amigos novos. Estavam todos um pouco tensos, mas, ao mesmo tempo, animados.

Seu filho sentou-se na rodinha com os novos colegas, olhando ao redor e, de vez em quando, acompanhava o discurso da professora. Uma criança não quis afastar-se de sua mãe e permaneceu agarrada a ela, recusando-se a fazer parte do novo grupo. Outra, apesar de estar sentada na rodinha, estava tensa e não parava de mordiscar, pedacinho a pedacinho, a ficha de papel com seu nome escrito e saboreá-los lentamente, cada um deles. Sempre que a professora solicitava, ela ia até o lixo cuspir aquele pedaço de papel e voltava a se sentar com os colegas. Não resistia e voltava a mordiscar. O menino que não queria separar-se de sua mãe entrou em pânico e se arrastava para entrar debaixo da cadeira onde sua mãe estava sentada, de forma a garantir que não iriam conseguir separá-lo dela. A professora foi até lá conversar um pouco para lhe passar mais segurança.

Seu filho dispersava-se com alguma facilidade e nem sempre respondia à professora, encantado e surpreso que estava com este novo universo. Mesmo assim, a professora não chamava sua atenção, já que havia uma pessoa encarregada de fazê-lo, uma vez que ele era diferente.

O velho pai foi se afastando da turma já que o filho se adaptava bem e não estava chorando, ao contrário de algumas outras crianças. Esperou por ele, do lado de fora do pátio, para levá-lo para casa ao fim do dia.

Seu peito encheu-se de orgulho ao ver seu filho sair da escola com um largo sorriso no rosto puxando sua mochila, que se deslocava com agilidade sobre as rodinhas, e correr para abraçá-lo. O filho abriu os braços e disse “Papai!” E seu pai, cheio de emoção, o abraçou e respondeu: “Pinóquio, meu filho, vamos pra casa, amanhã tem mais escola!”

Um comentário em “Primeiro dia de aula

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