Por Ciça Melo

Você com certeza já leu sobre um lugar e também já viajou a outros lugares. Com isto já percebeu a diferença entre ler sobre alguma coisa e ter uma experiência sobre algo. Foi numa sexta-feira que Luiza (minha filha de 7 anos) teve a experiência de viajar com Rafa para Portugal. Rafael estuda na mesma sala da Luiza e tem Síndrome de Down.

Eu soube da “viagem” porque Luiza entrou no carro muito empolgada, dizendo que aquele dia havia sido um dos melhores dias de escola. Ela queria contar a mim e aos irmãos sobre esta viagem. Primeiro, ela nos contou sobre as comidas de Portugal, nos falou sobre bacalhau e uma comida típica chamada de “prego no pão” (pão com bife). Depois, Luiza falou que tinha aprendido com o Rafa que, lá, as pessoas falam português, mas que é “português de Portugal”. E em seguida, imitou o Rafa imitando o garçom do restaurante.

Ela nos contou ainda sobre o Oceanário de Lisboa e todos os maravilhosos peixes e animais “da água” que tinham neste lugar. Falou até que o Rafa tinha levado o “mascote de pelúcia, mas sem pelo” do Oceanário, “tipo um boneco com tubo, máscara e uma roupa de mergulho”.

Quando os irmãos perguntaram à Luiza porque o Rafa havia feito aquela apresentação a turma. Ela nos explicou que aquela era a prova dele de História e Geografia. Complementou ainda: “ele ainda não está conseguindo escrever tudo e, assim, este é o jeito dele de mostrar pra gente alguma coisa que aprendeu. É a prova dele! A prova não é para mostrar que a gente aprendeu?”.

Imaginei como teria sido se a professora tivesse falado sobre Portugal ou apresentado um texto à turma para que lessem sobre o país. Será que Luiza teria chegado tão empolgada? Será que ela se lembraria de tantos detalhes? E será que ela teria dito que tinha sido “um dos melhores dias da escola”…

Enfim, foi assim, que, naquela sexta-feira, sem nem entrar num avião, Rafa levou Luiza, Lucas, Daniel e eu numa viagem bem bacana. Numa viagem diferente. Uma viagem rumo à inclusão!

Obrigada, Rafa, não só por nos ensinar sobre Portugal, mas como, principalmente, nos ensinar sobre inclusão. Mostrando que isto não é uma utopia, que, com vontade e dedicação, isto é possível e muito gostoso!

11 comentários em “Aprendendo com o Rafa

  1. Emocionante. É por isso que vale a pena a luta pela inclusão. As crianças já sabem disso. Todos ganham. Precisamos convencer alguns adultos!
    Parabéns pela filha sensível que está só ganhando com essa relação com o Rafofucho.
    Ana Teixeira

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  2. A criança não tem preconceito, ele é ensinado p/ ela. Por isso eles tem essa pureza e estão abertos p/ aprender e aceitar as diferenças… Essa viagem vai ser aquela recordação de infância que marca p/ uma vida inteira

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  3. Gente,
    Que linda história essa da Luiza e do Rafa. As lágrimas escorrem no meu rosto em plena redação do jornal. Sensacional a iniciativa de vocês em criar o ParaTodos. Ciça, que orgulho ter uma filha como a Luiza. Fabi, orgulho de vc!

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  4. Que lindos! Luiza e Rafa! Esse texto da Luiza me tocou profundamente, e ela será homenageada em minha dissertação de mestrado, colocarei o texto dela como epigrafe do capitulo que discutirei sobre os processos de inclusão de crianças com Síndrome de Down. Obrigada Luiza (e também a seus pais) por alimentarem a minha (nossa) esperança de um mundo onde não seja necessário “incluir”, pois o que queremos é que todos os seres humanos sejam vistos como unicos, em um universo dotado de diferenças! 😀

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