Gold key
Imagem: Chave de ouro encaixada numa peça de quebra cabeças também dourada que completa o painel de quebra cabeças.

Por Carla Codeço

Muitos são favoráveis à Educação Inclusiva até que a conversa chega ao temido ENEM. Então, como se fosse uma questão de escolha, pais preferem que seus filhos fiquem resguardados de outros com deficiência que podem fazer o “nível” da turma cair e escolas não querem correr o risco de ficar em má posição no ranking das que mais aprovam. Como se fosse possível optar. Como se fosse uma escolha do melhor xampu para o seu tipo de cabelo. Mas não. É uma questão muito mais profunda. É questão de direitos humanos.

Amedrontadas pelo fantasma ENEM, escolas convidam alunos não brilhantes a se retirar ao final do Ensino Fundamental. Pais questionam se, ao término da escolaridade, seu filho, brilhante aluno, terá o mesmo certificado que o outro que tem deficiência intelectual.

Mas o que acontece? Como chegamos até aqui? Em que momento passamos a ver a escola como uma certificadora de pessoas? Um lugar onde se consome conhecimento? Será que o fato de uma criança aprender a calcular raiz quadrada a torna com mais direitos que outra que consegue absorver apenas a matemática básica? A escola classifica cidadãos em primeira e segunda categorias?

Nossa constituição é bem clara quando em seu Artigo 205, registra: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho (grifo nosso).” A Lei de diretrizes e Bases (LDB) corrobora em seu Art. 2º  “A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana (grifo nosso), tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.”

É urgente que todos nós repensemos. É isso mesmo que queremos para nossos filhos? Fazer com que se tornem peças a se encaixar na engrenagem da grande indústria social? Que cidadãos teremos ao final? Certamente não teremos pessoas motivadas o suficiente para empreender e correr atrás de seus próprios sonhos.

Não apenas as crianças precisam ser educadas de forma a potencializarem o respeito ao outro, seu lado humano, seus valores, como os pais precisam rever suas convicções. A escola enquanto lugar de formação e constituída necessariamente por um coletivo de educadores pode ir além de apenas formar alunos, pode colaborar para que a comunidade escolar cresça junto, promovendo não apenas o crescimento humano de seus alunos, mas também o de suas famílias.

Adultos que não tiveram a oportunidade de conviver em idade escolar com crianças com algum tipo de deficiência não tiveram a oportunidade de ativar a chave da mudança. Não tiveram oportunidade de pesar e rever o que realmente tem valor quando pensamos e tratamos de pessoas.

A palavra Inclusiva, usada em seguida da palavra educação, só está aí para nos lembrar que um pequeno grupo está segregado, sem direito a pertencer. Quando todos estiverem conscientes do real propósito da educação, a palavra Inclusiva não será mais necessária.

2 comentários em “Qual o real propósito da educação?

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