IMAGEM: Desenho de uma floresta, um macaco, um pinguim, um elefante, um peixe, uma foca e um cachorro estão alinhados em frente a à mesa do professor que diz ”Para garantir uma seleção  justa, todos farão o mesmo teste: subir naquela árvore.”
IMAGEM: Desenho de uma floresta, um macaco, um pinguim, um elefante, um peixe, uma foca e um cachorro estão alinhados em frente a à mesa do professor que diz ”Para garantir uma seleção justa, todos farão o mesmo teste: subir naquela árvore.”

Por Carla Codeço

Conversando com uma amiga sobre a necessidade e a urgência do estabelecimento de fato da Educação Inclusiva, ela me disse uma frase que despertou algumas inquietações. Compartilho com vocês.
Falávamos sobre o direito à educação ser inalienável, assim como o direito à vida. Que não cabe aos pais dispor do direito dos filhos à educação. E ela complementou, falando do “direito de toda criança à educação e, no caso específico, direito da criança com deficiência à escola inclusiva – eu diria mais, direito de toda criança, com ou sem deficiência, à educação inclusiva.”
Esta conversa me fez olhar para a minha vivência de escola. Pensar no modelo de escola que tive acesso e da formação que obtive nela. Ou melhor, na formatação que ela provocou em mim.
Olhando em retrospectiva para minha trajetória escolar era como se este período da vida fosse uma prova de resistência. Se eu conseguisse passar por ela teria como prêmio poder fazer algo que gostasse na universidade. Para isso eu precisava apenas memorizar conteúdos até a data das provas para garantir as notas. E assim eu fiz. Quando consegui chegar à faculdade o que fiz foi tentar resgatar em mim as paixões,  e interesses adormecidos. Certamente muitas outras crianças e jovens que passaram pela escola fizeram o mesmo.
Se um aluno regular se sente assim, imagino que alunos com superdotação também sejam desestimulados no ambiente escolar, sentindo-se entediados ano após ano. Buscando fora da escola interesses instigantes que despertem sua excelência.
O mesmo acontece com alunos com dificuldade de aprendizagem. Os objetivos e metas traçados para a “média da turma” frequentemente são inalcançáveis e acabam desestimulando, desanimando. Nesta escola o erro é motivo de vergonha. Como aprender sem errar? Há que se esperar pela resposta certa e repeti-la. Memorizá-la. O caminho do pensamento e raciocínio pode levar ao erro e este à recriminação.
Então, afinal, este modelo serve pra quem? Para média? Quem são estes alunos para os quais o modelo de educação de que dispomos instiga e estimula ir adiante? Aqueles cinco ou seis que frequentemente disputam as melhores notas? Numa turma de 40?
Sem falar na valoração de umas disciplinas em detrimento de outras. Em nossas escolas uma nota dez em artes vale menos que a mesma nota em geografia ou história que em escala, vale menos que um dez em Matemática ou Física. Qual o propósito desta hierarquização? Queremos formar que tipo de profissionais?
A escola não deveria ser o lugar de desenvolvimento de nossas potencialidades? Que buscasse a excelência de cada um? Penso que deveria ser um lugar que provocasse o despertar de interesses, que permitisse o contato com assuntos variados possibilitando a descoberta do prazer de aprender.
A escola que temos não valoriza os distintos perfis de alunos, não atende às diferentes modalidades de aprendizagem. Se tivéssemos uma boa escola para todos, não precisaríamos estar falando de inclusão, porque esta escola já teria o olhar e a sensibilidade necessários para ensinar a todos os alunos.

2 comentários em “Escola Para Todos. Mesmo!

  1. Ótima reflexão Carla! Vou além… cheguei a conclusão de que o modelo de escola atual que temos é a “escola ENEM” Tudo é voltado para a colocação no ENEM, livros e apostilas ( super elaborados e mais complexos que muitas disciplinas universitárias); espaço físico ( pátio para quê? x horas de aula em salas com ar condicionado para um eficiente “adestramento”!); escolha de profissionais com o melhor corpo docente da região; ( Porque aqui nós temos 90% de aprovação nas universidades públicas, mas que professor tão bom é esse que não sabe ensinar todas as crianças?) e a publicidade? Esta aparece em vários veículos de comunicação citando tudo acima e em destaque que a escola está entre as 10, 20 , 50 … melhores colocações do ENEM na região… Me pergunto, onde fica a adequação de espaço físico para o acesso de todos? Onde fica o programa de atualização e reciclagem do corpo docente? Onde fica turmas menores para que seu filho possa ser percebido como um ser único e não um coletivo de 40 alunos? Onde fica em caixa alta, esta escola é para todos?

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  2. Carla,

    Também penso assim. Nunca entendi porque uma matéria vale mais que a outra. Todos são diferentes e cada um é bom em alguma coisa. O fato da pessoa não conseguir realizar certa tarefa não a faz menos importante.
    Obrigada por expor isso tão bem.

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