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Descrição da Imagem: Porta entreaberta por onde vaza luz para um cômodo escuro.

Por Ciça Melo

Será que esta ainda é uma questão? Alguns estão me dizendo que esta não é mais uma questão. Que isso é coisa do passado e que agora trata-se de uma realidade. Será?

Ok, não estou dizendo que não tivemos progresso algum. Lembro bem do tio de uma amiga que ficava escondido em casa. Ninguém falava no assunto e, quando íamos a casa dela, era quase um pique-esconde. Obviamente isto provocava curiosidade nas crianças. Mas também despertava um medo e até um terror.

Tememos aquilo que não conhecemos, aquilo que imaginamos ser monstruoso e que precisa ser escondido. Entendo que é uma tendência natural do ser humano esconder seus defeitos, suas deficiências. Ninguém gosta de expor aquilo que não acha bacana. E, assim, acho que surge a ideia de esconder.

E hoje? Talvez as pessoas com deficiência não estejam escondidas em sótãos. Apesar de que ainda encontramos alguns casos nos confins do nosso país. Mas, mesmo não estando nos sótãos, estão inseridas em todos os lugares? A discussão não eh apenas incluir ou não numa escola. Frequentam o clube, a igreja, a padaria, as festas?

Incluir ou não incluir, eis a questão? Esta pode não ser mais a questão hoje, mas ainda temos, com certeza, um longo caminho a trilhar.

6 comentários em “Incluir ou não incluir, eis a questão?

  1. Ciça, sem dúvida, trata-se de um processo, mas ainda assim trata-se de um caminho que se escolhe por razões éticas. Infelizmente, parece que a humanidade precisa estar sempre usando de suas faculdades intelectuais para não sucumbir a sua tendência histórica (não sei se natural ou cultural…) de hierarquizar as relações, de tratar as diferenças como desigualdades… Isso acontece em todas as dimensões das diferenças e a superação dessa situação requer uma opção consciente pela valorização das diferenças como fonte de enriquecimento. Porque os outros caminhos entendem as diferenças como fonte de problema, de conflito… Qual caminho vamos escolher enquanto sociedade depende de ações como estas que vocês do Para Todos vem empreendendo, pois o processo está em curso!

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  2. Cica, muito bom! E uma questao tao velha quanto a humanidade. Acho q as escolas tem um papel muito importante nisso. A Escola Parque esta lidando muito bem com isso, ajudando as criancas pequenas a aceitar as diferencas.

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  3. Oi, Ciça. Estamos muito distantes da inclusão, essa é a verdade. Quem está de fora vem contar feliz que o filho estuda numa escola “inclusiva”: “Ah, na sala do meu filho tem um menino autista”, ou tem um menino com síndrome de Down ou qualquer outra coisa. Mas não sabe que a mensalidade ou a matrícula paga por aquela mãe é mais alta. Não sabe que a mediadora que acompanha a criança é bancada pela família. Não sabe que a escola não se prontificou a criar um livro adaptado, uma prova adaptada… Então, esse papo de escola inclusiva de verdade… eu não conheço ainda nenhuma aqui no Rio! Quanto ao restante da sociedade… estamos caminhando! Eu faço o meu papel: levo o meu filho para todo lugar – que ele gosta de estar, claro. Festas barulhentas, teatro e cinema não o agradam. Fora isso, podem contar que vão esbarrar com o meu príncipe, grite ele nas horas mais inapropriadas, ou não!!

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  4. Essa história ainda está sendo escrita. Por um lado temos a lei que obriga essa inclusão (seja qual for a deficiência), de outro, temos as escolas sem professores qualificados ao ensino especial, sem mediadores em seu quadro de funcionários, sem um currículo adaptado e sem um trabalho de conscientização quanto a igualdade inserida nas diferenças. Lutamos por um direito nosso, de ir e vir, de ajudar nossas crianças a serem funcionais o máximo possível, a de se desenvolverem em sociedade, ainda que esta na maioria das vezes lhe vire as costas. A criança especial acaba sendo marginalizada principalmente por adultos que incutem o preconceito e aversão ao diferente em seus filhos. Quanto a mediação escolar, na maioria das vezes o profissional é pago pela família. Este profissional está ali não para ocupar o lugar do professor, mas sim auxiliar a criança na compreensão do conteúdo, e para isso o mediador deve (deveria) receber do professor o seu plano de aula da semana seguinte para poder organizar um material que chame a atenção da criança. A jornada é árdua, muitos de nós que temos crianças (autistas) contamos com a ajuda de psicólogos, terapeutas comportamentais e fonoaudiólogos. As crianças praticam esportes, curtem música, gostam de gente, querem abraçar o mundo e pedem que lhes seja dada uma oportunidade de viver, pertencer e existir.

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