DESCRIÇÃO DA IMAGEM: foto de uma banana com a seguinte mensagem: 'VAMOS DAR UMA BANANA PARA O RACISMO'. E também: #somostodoshumanos
DESCRIÇÃO DA IMAGEM: foto de uma banana com a seguinte mensagem: ‘VAMOS DAR UMA BANANA PARA O RACISMO’. E também: #somostodoshumanos

Por Fabiana Ribeiro

Toda essa discussão se #somostodosmacacos ou se #somostodoshumanos me faz refletir, quase automaticamente, sobre a questão que move esse blog: a inclusão. E, sendo sincera, me bate uma onda pessimista. Pessimista porque, em pleno século XXI, ainda nos deparamos com uma gente que liga negros a macacos. E, como bem se sabe, é gente à beça. O pior que isso não é ignorância: é maldade, às vezes disfarçada, mas maldade de todo jeito.

Muitas vezes, essa síndrome da superioridade branca vem de berço, funcionando quase como um orgulho passado por gerações. Noutras, é pura índole. Há ainda quem encontre fundamento bíblico (Meu Deus!). E tem aqueles fracos que se deixam levar pelo meio. Mas, seja como for, se o papai não ensinou, fica a dica: preconceito é feio. E, se não concordar, lembra que hoje é crime: dá cadeia. Então, pense o que quiser do negro, mas, faça a todos um  favor, guarde a banana para o seu jantar.

O racismo é apenas uma das facetas do preconceito. Xingamentos passam pela cor da pele, orientação sexual, classe social, religião, deficiências… Se um jogador famoso sofre – e sente – na pele a dor do preconceito, o que dirá um menino negro com alguma deficiência? E se for pobre… Aliás, dados do últimos censo feito pelo IBGE apontam que quase um terço das mulheres negras tem alguma deficiência… É dura a vida da bailarina. Negra, então. Agora, imagina negra e com deficiência…

Os números do preconceito aparecem nas estatísticas do IBGE. Também deposito na sua conta o fato de as taxas de escolarização e de alfabetização das crianças com alguma deficiência serem menores do que aquelas dos alunos sem alguma questão física ou intelectual. É claro que aqui o preconceito não se vê apenas em bananas ou xingamentos, ainda que, vestido de bullying, ele comprometa – e muito – o rendimento do aluno. E não podemos ignorar que a vergonha do filho com deficiência ainda é uma realidade em muitas famílias espalhadas pelo país. Só que aqui existe ainda um preconceito institucional traduzido por anos de negligencia, descaso, falta de estrutura, despreparo do professor, falta de políticas de inclusão e por aí vai. Contudo, não sejamos puristas ao extremo, já que a Educação carece naturalmente de recursos, investimento e até mesmo de transporte adequado.

Triste pensar que o preconceito ainda precise ser combatido com unhas e dentes. Triste pensar que há gente que classifique pessoas por cor da pele, tamanho do QI, padrões estéticos, zeros da carteira. Triste pensar que viado pode ser um xingamento, assim como chamar o atleta de macaco. Triste pensar que tudo isso possa virar uma camiseta. Triste pensar que é esse o mundo que preciso mostrar para os meus filhos. Vergonha.

Não somos todos macacos. Não somos todos lindos. Não somos todos brancos. Não somos todos magros. Não somos todos cegos. Não somos todos surdos. Não somos todos autistas. Somos todos humanos. Somos todos. E somos.

2 comentários em “Guarde a sua banana

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