Por Fabiana Ribeiro

DESCRIÇÃO DA IMAGEM:  a ilustração mostra quatro bonequinhos coloridos (vermelho, amarelo, verde, azul) montando um quebra cabeça redondo  também colorido.
DESCRIÇÃO DA IMAGEM: a ilustração mostra quatro bonequinhos coloridos (vermelho, amarelo, verde, azul) montando um quebra cabeça redondo também colorido.

Existe uma corrente – ou seria mais uma prática? – na educação que aponta a mediadora como sendo a responsável pela criança com dificuldade no aprendizado. É claro que a tal linha não é assim tão explícita: defende integração, cooperação mútua e diz que cabe ao professor ser o elo entre o aluno em dificuldade e o restante da turma. Belo discurso. Contudo, quando descreve o papel do mediador, em teses, artigos ou dissertações, se o leitor estiver mais distraído, vai achar que as competências descritas ali se referem ao professor ou mesmo ao pai ou à mãe.

Sem dúvida, o assunto é polêmico. Ainda mais quando beira o impossível fazer um manual. Como especificar quem precisa de mediador? Basta ter um diagnóstico de autismo que já lhe exigem um profissional à sua cola? O tal especialista fica dentro ou fora de sala? Quantas vezes por semana precisa estar na escola? É o mediador a garantia de aprendizado do aluno ou ainda é o professor? Quem leva a criança pequena ao banheiro? E, se o mediador se atrasa, falta ou fica doente, o que acontece com o aluno na sua ausência? Aliás, a partir de que idade, o mediador se faz necessário? Perguntas, por ora, sem respostas ou muito mal respondidas.
O fato é que o campo da diversidade humana é tão amplo, tão amplo, que torna-se difícil estabelecer limites entre o que é do mestre e o que do mediador. Limite tênue, porém, fundamental. E que precisa estar claro para todas as partes – escola, pais, professores, mediadores, alunos. É preciso urgentemente definir papeis dentro de sala de aula. Nem que seja caso a caso, com direito a revisões e revisões. E, após isso, é necessário assumir as responsabilidades.
Ainda não há caminhos 100% seguros. Estamos à cata das melhores alternativas e temos visto coisas interessantes por aí. Mas seguimos sem resposta. Só que não nos contentamos com isso: vamos correr atrás delas.
Por enquanto, foi meu filho mais velho quem me deu a pista para resolver o tal enigma da mediação. Há alguns dias, ele pegou uma conversa no meio entre mim e uma psicóloga e quis se inteirar:
– Mãe, sobre vocês estavam conversando?
– Estava pedindo uns nomes que possam me ajudar sobre mediação.
– Mas eu ouvi você falar de uma moça. Quem é ela?
– Uma terapeuta que acredita que algumas crianças devem ser de responsabilidade da mediadora.
– Mãe, isso não pode. É errado.
– Quem você acha que deve responder pela criança, então?
– A professora, claro.
– Mas a quem a criança deve recorrer quando precisar de ajuda?
– Pode pedir ajuda pras duas.
– Você conhece alguém quem precise de mediadora?
– Sim.
– E ela recorre a quem?
– Mãe, ela procurar as duas. E é assim que deve ser.
Talvez a resposta seja tão simples, tão óbvia, que nos é dada por uma criança de 7 anos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s