DESCRIÇÃO DA IMAGEM: foto do asfalta com uma linha branca marcando de um lado a largada e do outro a chegada.
DESCRIÇÃO DA IMAGEM: foto do asfalta com uma linha branca marcando de um lado a largada e do outro a chegada.

Por Carla Codeço

Eis que o ministério da educação cria o Programa de Implantação de Salas de Recursos Multifuncionais. Com o objetivo de tornar viável a tão sofrida educação inclusiva. Botar pra frente, fazer funcionar a bendita. São espaços equipados com materiais didáticos e pedagógicos, recursos de acessibilidade e capitaneados por professor com formação em educação especial.As salas de recursos foram criadas com o objetivo de complementar, nunca de substituir o tempo que a criança passa em sala de aula.

Eis que algumas escolas começam a distorcer o objetivo e usar estes espaços como substitutivos às salas de aula, fazendo com que o aluno saia de sala, se destaque da turma para ter um atendimento exclusivo na sala de recursos, durante o turno de aula. A argumentação é que neste espaço o tempo que passa na escola será mais produtivo, enquanto que na sala de aula comum ele não terá condições de aprender. Ora, ele não terá condições de aprender, se as adaptações necessárias para que o conhecimento seja acessível não forem feitas. Se o planejamento de aula não considerar este aluno como parte do grupo. Com esta prática, o aluno com deficiência ou dificuldade de aprendizagem se distancia ainda mais do grupo. Ele, mesmo incluído em sala, já costuma ser afastado pela presença de uma pessoa que media o aprendizado e também as relações sociais entre alunos e aluno-professor. Quanto mais tempo o aluno passa fora de sala, menos se familiariza com os assuntos tratados na aula. Mais difícil fica, portanto, a tarefa de incluí-lo.

Não quero dizer com isso que os mediadores não sejam necessários, também não nego a importância de a escola ter espaços alternativos para que um aluno com questões sensoriais possa se estabilizar. O que são temerosas são estas práticas generalistas que tratam todos os alunos com deficiência como um grupo que precise dos mesmos recursos pedagógicos e adaptações, da mesma forma com que tratam todos os alunos típicos como um grande grupo homogêneo que aprende da mesma forma.

Mas o que acontece?! O que há de errado? A proposta de sala de recursos não funciona? Porque os professores insistem em criar subgrupos segregados? Com a regularidade e a frequência de criação destes subgrupos e locais alternativos dentro da escola, a tendência é que fique cada vez mais difícil para a própria escola gerir tantas exceções. Corremos o sério risco de voltar do ponto onde saímos. Quando ficar patente a inviabilidade da gestão de tantos mediadores, subgrupos e salas reservadas, a tendência será a de juntar estes alunos e mediadores em uma sala única. Salas de recursos se metamorfoseando em salas especiais, salas para os alunos com deficiência, partindo de uma escola inclusiva para uma escola segregadora e até “especial”. Ora, mas não era essa página que nós queríamos virar de uma vez por todas?

6 comentários em “De volta ao ponto de partida

  1. Deve ser muito fácil fazer um comentario desse quando VC tem recursos.mas pesse nas criancas que tem dificuldades de aprendizagem que são negadas a elas um intermediador e o único lugar que elas se sentem capazes e aceitas são as salas multifuncionais. No lugar de criticar os educadores que criam pelo menos essa ponte para nossas criança sem recursos e ou dinheiro vamos lutar sim por igualdade mas dando oportunidade e não tirando. Essa e opinião de uma mãe de criança altista e deficiencia intelectual de 10 anos que ate hoje nao tem tratamento adequado por que poucos tem essa mente retrógrada. Antes de fazer comentários assim vai conhecer a realidade de muitos

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    1. Oi Sandra! Achei tanto o teu comentário bem interessante, é uma discussão muito importante! O que tu contou, do teu filho, da educação que ele merece em oposição à educação que ele recebe, carece de uma discussão maior. Vou publicar este texto em uma nova plataforma em que estou envolvido, http://www.diversidadenarua,cc, assim como o teu comentário, o que acha? Podemos falar por e-mail? O meu é alvarohetzel@gmail.com

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  2. Realmente sinto essa preocupação de que há situações na escola, que a emergência, mesmo antes de se buscar alternativas práticas adaptadas, quando digo adaptadas é transformar o conteúdo da turma em possibilidades pedagógicas variáveis conforme as possibilidades de execução do aluno, e já de imediato partir para a decisão de ter o professor de apoio, numa medida de caber a ele a responsabilidade de assumir o compromisso de ensinar esse aluno em específico. Que de certa forma elimina a responsabilidade do professor regente a tarefa de ensiná-lo. Infelizmente isso tem se tornado uma prática comum hoje em dia, inclusive por parte dos educadores e dos próprios pais.

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  3. Eu ainda prefiro que a minha filha, que tem deficiência intelectual, esteja dentro da sala de aula, com todas as outras crianças, aprendendo o que pode, assim como as outras crianças estão aprendendo a conviver com ela. São essas crianças que vão poder e saber fazer a diferença na inclusão, no futuro, quando serão adultos. É a minha intuição.

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  4. Acho que os comentários acima, especialmente os Sandra e Álvaro, não compreenderam completamente a polêmica contida no texto. Vejam, a sala multifuncional é tida como uma grande vitória no sentido da inclusão escolar. Mas, como a Carla Codeço diz:
    “As salas de recursos foram criadas com o objetivo de complementar, nunca de substituir o tempo que a criança passa em sala de aula.”
    A discussão não é se deve haver inclusão ou não. É preciso e, mais que isso, as escolas tem o dever de incluir crianças em qualquer situação de dificuldade, devido a deficiências de qualquer tipo, em seus espaços comuns. A sala multifuncional complementa e é essencial para uma educação verdadeira. Mas, o ponto que o texto discute é que ela não pode ser transformada em uma escola especial dentro da escola comum. Não deve ser utilizada como substituta da sala de aula normal. Os princípios pedagógicos que criaram as salas multifuncionais não são os de segregação, mas de suporte à escola comum.

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  5. Olá, me chamo Neide inciei este ano na SRM e a mesma está aos poucos conquistando um espaço dentro da escola.Inicialmente escutei várias expressões que iam de encontro e contra a inclusão, mas aos poucos o professores estão percebendo que estamos na sala de recurso pra “facilitar” o trabalho deles como esses alunos e principalmente para que esses alunos sejam vistos como um sujeito de direitos como os outros, como profissional desta sala temos este papel de intermediador, pois temos que entender que os professores enfrentam várias dificuldades para exercer seu oficio(sala super lotadas, falta de materiais e as situações comportamentais como indisciplina), então não podemos deixar de ter este olhar de mediador.Em algumas situações os professores estão sendo orientados de como avaliar este aluno, como ele aprende, suas dificuldades e potencialidades, mas muitas vezes esse aluno precisa de orientações para que obtenha exito nas provas e isso se faz através de reflexões, perguntas referente ao tema e se for dentro da sala de aula, estaremos dando a respostas aos outros, por isso se faz necessária a intervenção do profissional da SRM.

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