Por Fabiana Ribeiro
DESCRIÇÃO DA IMAGEM: a ilustração mostra dezenas de pessoas reunidas, lado a lado, segurando máscaras iguais
DESCRIÇÃO DA IMAGEM: a ilustração mostra dezenas de pessoas reunidas, lado a lado, segurando máscaras iguais

Já fazia alguns anos que estive em New York e, talvez por isso, eu não tenha percebido algumas nuances que hoje me parecem mais óbvias. Eu tinha menos de 20 anos quando estive por lá pela última vez  e voltei recentemente aos 36 e isso já faz uma baita diferença na forma como você encara uma cidade.

Dessa vez, tendo a meu lado meu marido e maior companheiro da vida, olhei a cidade pela lente da diversidade. Andando pelo metrô, almoçando ora em restaurantes, ora em pequenos lugares simpatiquinhos, eu vi de perto como nosso pais caminha a léguas da democracia racial – conclusão longe de qualquer ineditismo, mas assim mesmo ainda me soa espantosa.

Em apenas uma semana, vi profissionais negros andando pelo metrô, desfilando em saltos, termos e sobretudos. Vi executivos negros discutindo business em restaurantes caros. Vi mulheres negras sentadas em teatros da Broadway. Vi comerciais tendo atores negros como protagonistas. Aliás, vi negros em praticamente todos os comerciais da TV fechada. Vi vendedoras negras, gerentes negras, médicos negros, policiais negros, estudantes negros. Não estavam em um mundo negro. Estavam na cidade de todos.

As cenas, corriqueiras e típicas, não poderiam acontecer no Rio de Janeiro. Não damos a mesma oportunidade para brancos e negros. Ainda que insistamos, e muito, na tal da democracia racial e naquele discurso cínico ou ingênuo que usa o Pelé ou Joaquim Barbosa como ícones da justiça social.

Mas o que essa discussão racial batida tem a ver com esse blog? Tudo. Se hoje existem negros americanos ocupando todo tipo de atividade profissional, atuando em todas as esferas públicas – da escola ao mercado de trabalho, é porque a questão da diversidade entrou para a agenda das políticas públicas daquele país em algum momento.

Precisamos fazer isso por aqui também. Não apenas como nossos negros (sim, inicialmente, eu sou a favor das cotas, mas isso é uma outra conversa), mas com nossas crianças com alguma deficiência ou dificuldade no aprendizado – afinal, é disso que trata esse blog.

Longe de comparar cor de pele com deficiência, o que se quer pensar aqui é na discussão de quem está à margem. Precisamos ver mais pessoas com deficiência assumindo diferentes papéis na nossa sociedade. Precisamos ver mais crianças com deficiência  fora de seus guetos exclusivos. Precisamos ver, precisamos ver, precisamos ver.

Só que, para isso, as escolas precisam abrir as portas para todas as crianças. Um chamado especial para as escolas religiosas que, nesse caso, teriam um dever moral de atender a todos.
É pelo caminho da educação que, lá na frente, vamos encontrar profissionais andando pelo metro, ocupando cargos dignos e compatíveis com sua habilidade e formação, tendo síndrome de down, cegueira, superdotação, deficiência auditiva ou uma cadeira para empurrar. Não há outro caminho senão pela Educação.

São as escolas que vão não somente ajudar para formar os profissionais de amanhã. Mais do que isso. São as escolas que vão dar o tom da diversidade. São as escolas que vão dar a base moral do mundo das nossas crianças. E essa moralidade precisa passar pela diversidade. Caso contrário as crianças de hoje se tornarão adultos que vão acreditar que o mundo é todo branquinho e sem pessoas com deficiência. E aí vão se chocar quando andarem no metrô de New York.

Um comentário em “Choque no metrô de New York

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