DESCRIÇÃO DA IMAGEM: criança pequena, vestida com um jaleco branco, está em pé de frente para um quadro negro cheio de equações complexas.

Por Ciça Melo

“Ser muito dotado e ter uma deficiência são surpreendentemente parecidos: isolamento, incompreensão, espanto.” A principio, esta colocação, de Andrew Solomon no livro “Longe da Árvore”, soa no mínimo esquisito. E eu discordaria dela, não fosse pela minha experiência particular.

E percebo que a maioria das pessoas também discorda do autor, quando vejo a reação das pessoas ao falar para alguém sobre a superdotação do Daniel (e falo isto para poucas pessoas já em função da reação que tenho visto). Muitos não acreditam e olham pra mim como se eu estivesse querendo me gabar. Outros acham que isto é apenas mais uma mãe “querendo achar que seu filho é o máximo”. E alguns ainda me olham como se eu estivesse falando sobre a existência de vida em Marte.

O que poucos sabem é o real transtorno que isto causa na vida destas crianças. A dificuldade que elas têm no dia a dia ao se relacionar com outras crianças da sua idade. O desespero (sim, é esta a palavra) que eles ficam ao perceber que, apesar de uma grande inteligência em uma área, em outra não conseguem ser bem sucedidos.

Me lembro de ler sobre uma criança que já lia aos três anos, mas continuava com dificuldade para tirar a fralda. Estas frustrações são extremamente desestabilizadoras. Conversando com uma especialista, ela me explicou: “é como se o Daniel tivesse um pé tamanho 22, mas a perna fosse para tamanho 36”. Foi só aí que consegui entender o desequilíbrio que isto causava para tudo.

Estranhamente a deficiência e a eficiência (sim, a superdotação é uma eficiência em algum sentido) andavam juntas. Mas, cada vez mais, fica claro pra mim que o incomoda é o fato de estar fora dos padrões. Somos impelidos a nos igualar, a nos aproximar dos semelhantes. Uma amiga, psicóloga, me explicou que Freud disse que isto já está estabelecido no nosso DNA mais intrínseco (obviamente ela falou de forma mais complexa). Como Freud descobriu isto, nunca saberei, mas eu tenho descoberto isto na prática!

3 comentários em “Extremos opostos. Será?!

  1. Acho que parte do que “incomoda” também, é que a criança suerdotada consegue, mais cedo, ter uma compreensão maior do que realmente quer dizer “ser diferente” numa meio onde ser igual é hipervalorizado!

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