DESCRIÇÃO DA IMAGEM: Um quadro, negro, com uma lâmpada desenhada a giz. Abaixo do desenho, uma mão que simula segurar a lampada
DESCRIÇÃO DA IMAGEM: Um quadro, negro, com uma lâmpada desenhada a giz. Abaixo do desenho, uma mão que simula segurar a lampada

Por Fabiana Ribeiro

Alguém sabe onde eu compro um quadro negro? Desses mais antigos, que nossos avós chamavam de lousa. Sim, eu quero comprar um desses aí.

Eu quero comprar um quadro negro, não verde. Negro e caixas e caixas e caixas de giz branco. E aí eu daria, de bom grado, para a escola.

E todo ano eu compraria um. Deixa que eu compro. Eu ajudo a escola a substituir os modernosos quadros brancos com pilots que são chiques à beça, mas não dão o contraste de que meu filho precisa.

Então, se alguém me disser onde vende, eu compro. Não importa quanto. Nem onde. Dou meu jeito: eu pago, busco e carrego nos ombros.

Aí, eu entrego na escola. E fica tudo resolvido.

Não, não fica.

Posso comprar um quadro negro todos os anos. Posso a cada ano gastar o que for para garantir conforto para meu filho. Posso fazer isso até o rebento chegar na faculdade. E lá também eu continuo a comprar os quadros literalmente negros, praticamente em extinção. Vamos reavivar a morta indústria de quadros negros do país!

Está resolvido.

Não, não está.

Não está. Não está porque, ao longo da vida, eu não poderei comprar todos os quadros negros para ele. Não poderei livrar meu garoto dos meninos maus, nem melhorar a grafia das professoras. Tampouco poderei pegar seus óculos quando caírem no chão. Nem poderei ampliar as letras dos jornais, dos livros, do caderno do amigo. O mundo é esse, meu filho. E nós que nos viremos.

Posso, em vez de comprar quadros negros, chamar a atenção de que o mundo, a escola, o parque, a vida é de todos. E que isso é tão óbvio. Que somos diferentes e cada um na sua diferença precisa ser visto, olhado, atendido do jeito que precisa. De forma diferente mesmo. Somos todos iguais, mas tão diferentes… Nem precisamos falar de leis, de direitos, de humanidade, podemos falar apenas de ética, bom senso e amor.

Não, não vou comprar quadros negros a cada ano. Simplesmente porque acredito que a causa é maior do que isso. Vamos adaptar e nos adaptar. Não sou tão míope assim.

PS: eu posso mudar de ideia. E que a escola aceite uma entrega especial…. brincadeirinha

Um comentário em “Eu quero comprar um quadro

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