FOTO_tempos de escola
DESCRIÇÃO DA IMAGEM: fotografia em close de quatro crianças juntas lendo um mesmo livro.

Por Ciça Melo e Fabiana Ribeiro

 

O que mais marcou os seus tempos de escola? Seu aprendizado? As leis de Newton, as aplicações do teorema de Pitágoras, a descoberta da função da mitocôndria? Ou os amigos, o bullying sofrido, um professor querido? Muitos devem responder que foi o convívio social que mais impactou a vida escolar de cada um. Poucos vão dizer que a aula sobre Revolução Francesa, as experiências no laboratório de química ou as explicações sobre a literatura barroca mudaram a vida para sempre. Da Educação Infantil ao Ensino Médio, o que cada um levou para dentro de si foram os efeitos, bons ou ruins, de suas relações sociais. É disso que nossa memória trata quando qualificamos nossa passagem pelos bancos escolares.

Essa ideia, abraçada por nós, é fortemente defendida pelo fotojornalista americano Dan Habib — que, após o nascimento de seu segundo filho, passou a atuar na área de inclusão. Como ele mesmo diz, a deficiência não fazia parte da sua vida até que nasce Samuel (hoje com 14 anos), com paralisia cerebral. E, não, não mesmo, ele não quer dizer que o conteúdo não é importante. Nem é isso que queremos dizer. Mas, sem dúvida, são os caminhos por que passa o aprendizado – da forma de ensinar aos amigos feitos e desfeitos – que vão nos dizer se esse período da vida foi bacana ou não. Se houve mais risadas do que choros. Se houve mais inclusão ou isolamento. Se houve mais disputas ou solidariedades. Se houve mais respeito às diferenças ou padronização em série.

Pensando assim, é nesse ponto que escolas e professores precisam se concentrar – e muito. Devem ensinar a incluir, a lidar com o outro, a aceitar a diversidade, a respeitar cada estudante exatamente do jeito que ele é. E, nada melhor do que conviver para entender melhor as necessidades do outro. Nada melhor do que se misturar, se juntar, se vincular para que, lá na frente, a escola tenha sido mais, bem mais, muito mais do que o lugar onde se aprendeu – e se esqueceu – os elementos da tabela periódica ou o coletivo de camelos. A escola precisa ser também o lugar onde a criança aprenderá a simplesmente conviver com alguém que é apenas diferente dela. É, então, aí que entram os alunos com alguma deficiência — que não podem ficar de fora do sistema educacional brasileiro.

Ao barrar crianças com alguma deficiência de suas turmas, as escolas colocam seus alunos nos chiqueirinhos VIPs da educação. Mas o mundo do lado de fora não tem pulseirinha e saber conviver será cobrado em algum momento. No clube, no supermercado ou no mercado de trabalho. A esses alunos fica faltando a aula da diversidade e do respeito, lições importantíssimas num mundo tão indócil quanto o nosso. Então, se sua escola não é inclusiva, se não há crianças com alguma deficiência na sala de seu filho, quer um conselho? Olhe para o lado. Há muita gente, boa, por aí ensinando a conviver. Delas, certamente, sairão recordações melhores da época do colégio.

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