Por Fabiana Ribeiro

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Inclusão é caminho sem volta, professor. Não é mais opção da escola ou um encantamento pessoal com a causa. É uma questão de mercado, de formação, de adaptação aos novos tempos. Não tem muito querer, não.

Aqui cabem várias analogias, mestre. Lembra quando a internet invadiu as nossas vidas e se multiplicaram por aí cursinhos? Todo mundo, que hoje está na faixa dos 40 anos, teve que se mexer para entender que diabos eram os tais três w´s juntos ou Google ou download. No meu caso, jornalista, precisei não somente entender a nova linguagem, como também fazer cursos – oferecidos ou não pelo jornal onde trabalhei por tantos anos —  de jornalismo on-line. Ou encarava os novos desafios ou estava fora. Bem, boba que nunca fui, preferi a primeira opção. Menos por amor à profissão, mais pelas contas a pagar…

Mais recentemente, sustentabilidade entrou na pauta de áreas como engenharia, arquitetura e até lá no direito. É impensável hoje construir um prédio, uma casa, uma fábrica, sem considerar mecanismos para o melhor aproveitamento da água ou de qualquer outro recurso natural, a redução de emissão de gases poluentes ou maneiras de se evitar qualquer tipo de desperdício. Qualquer projeto baseado em abundância está fadado a ficar na gaveta e seu autor, sorry, no limbo dos irresponsáveis.

Agora chegamos ao ponto, professor. Inclusão no magistério corresponde à sustentabilidade para os engenheiros. Não dá mais para fugir do tema. Foi-se o tempo em que os filhos com algum tipo de deficiência ficavam nos porões de casa: os cadeados foram abertos e, querendo ou não, esses alunos estão na sua sala agora. À sua espera. Discursos como “não estou preparado”, “não há cursos disponíveis no mercado”, “eu não sei como lidar com esse tipo de aluno” já não colam mais. E resistir às mudanças é fincar o pé na lama. Sorry again.

Em vez de resistir, adapte-se. Busque cursos. Cobre da escola treinamentos. Leia. Informe-se Ocupe-se, questione. Veja filmes, leia livros, acesse blogs, converse com colegas. Mexa-se. Sinto informar, mas não há métodos prontos, nem cartilhas a seguir. Vai ter de contar com o seu bom senso, a sua força de vontade, a sua capacidade de incluir. Pois você, professor, é o grande agente dessa mudança. Não são os pais, muito menos os alunos. É você. A inclusão está, principalmente, em suas mãos. Se você não a quiser, não adianta baixar norma, regra, lei, nada. Só você tem o poder de trazer para dentro de sala aquele aluno que, anos atrás, não estaria sequer na escola.

Abraçar a causa da inclusão não é, portanto, apenas para os nobres de coração – ainda que tenha muito a ver com isso. É uma questão prática de empregabilidade, de sobrevivência profissional mesmo. Esse professor resistente está com os dias contados. É claro que ainda há muitas escolas que são exclusivas para aqueles considerados indivíduos padrão, com destaque aqui para os colégios religiosos que vivem num verdadeiro dilema ético e moral. Mas, mesmo nesses colégios, o senhor vai ter de se adaptar em algum momento aos novos tempos. Não vai ter jeito. É, como disse, professor, um caminho sem volta.

3 comentários em “Carta ao professor

  1. Muito interessante!! Percebo que os professores que já entenderam essa necessidade, e estão buscando caminhos alternativos, estão conseguindo resultados melhores com TODOS os seus alunos e se tornando cidadãos melhores.

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