DESCRIÇÃO DA IMAGEM:  trata-se de um lápis em madeira em formato de uma cruz
IMAGEM: trata-se de um lápis em formato de uma cruz

Por Fabiana Ribeiro

É de um paradoxo infernal o fato de tantas escolas religiosas – especialmente aquelas que estão no topo do ranking do Enem – passarem por cima da inclusão, sem a menor cerimônia. Vão de encontro aos valores mais sagrados pregados por toda e qualquer religião: amar o próximo como a si mesmo.

Excluir uma criança é negar a sua presença, ignorando, aliás, as palavras da própria Bíblia. No evangelho de Mateus (19:13-15), apenas para ilustrar, lá está uma das passagens mais citadas quando o assunto se refere aos pequenos: “Deixai vir a mim as crianças, porque delas é o Reino dos Céus”. Em vez de deixá-las vir, muitas escolas fazem justamente o contrário: fecham descaradamente a porta na cara de crianças com alguma deficiência, castigando-as por sua condição. É silenciar, mais uma vez. E isso bate de frente com o discurso dos próprios religiosos que chegam ao cúmulo de dizer que uma criança com deficiência é uma benção para toda a família. Pode ser para a família, assim como qualquer outro filho também é, mas, pelo visto, não é para a escola.

É de se espantar que colégios tão religiosos preguem, ao contrário do que seria de se esperar, a concorrência, a intolerância, a disputa. Pouco se aceitam pessoas com deficiência intelectual, da mesma forma que muitas dessas escolas excluem os repetentes. Nesses colégios, realmente ninguém fica para trás: quem não dá conta sai. E que vença o melhor.

Cadê a fraternidade? Cadê a reciprocidade? E a solidariedade? Em vez disso, muitas escolas se tornam terreno fértil, não somente da disputa, mas também da formação em série de indivíduos padronizados que aprendem desde cedo quem são Newton ou Aristóteles, ao mesmo tempo que sabem de trás pra frente todos os passos de Jesus até a ressurreição. Mas pulam a aula mais nobre do currículo da educação: a ética. Tudo bem, formam-se sem dúvidas executivos globais de alta performance, mas com pouca habilidade de lidar com o outro que não seja igual a si próprio.

Trata-se de uma falha moral. Que é passada aluno por aluno como se o mundo que pertencesse aos iguais, aos melhores, aos perfeitos, fosse o apregoado verdadeiro mundo de Deus. Só que não.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s