a4Quando estávamos para fechar a tampa de 2014, nos deparamos com uma certeza: há ainda muito o que fazer, há ainda muito o que mudar. E quem nos fez esse alerta, quase no apagar das luzes do ano, foi uma leitora do blog, Crispina Elaine Lopes, que, indignada com a exclusão sofrida por uma menina de 9 anos, resolveu escrever a seguinte carta, que a transcrevemos logo abaixo;
“CARTA A UMA PROFESSORA

Professora, estou lhe escrevendo para dizer que não consigo mais ir à escola. Não sei se a senhora percebeu a minha ausência por estes dias em aula.
A mamãe me diz que preciso ir, mas eu não consigo.
Não consigo mais tentar me esforçar para que a senhora não me maltrate mais com seu jeito de falar comigo, sempre me repreendendo, porque não consigo fazer tudo o que a senhora quer, do jeito que a senhora quer.
Estou sempre atrasada, fico na sala, quando bate para o recreio, porque não consigo copiar tudo do quadro.
Também não fico feliz no recreio, porque meus colegas não brincam comigo. Acho que é porque eles ouvem a senhora me repreender tanto, então, acham que sou uma menina má e não querem ser meus amigos.
Ninguém fala comigo. No recreio, quando peço para brincar, as meninas dizem que não estão brincando ou que já não dá mais, está completo o número.

a3Uns coleguinhas já que chamaram de “bobinha”, eu chorei, mas ninguém viu. Outro menino pegou o meu brinquedo da minha mão e saiu correndo. Também ninguém viu. Se eu falo o que acontece, eu sou xingada, me chamam de fofoqueira.
Ninguém vê, ninguém sabe o que acontece comigo. Ninguém sabe que eu choro em casa, quando eu me lembro de tudo o que acontece comigo na escola.

Então, professora, eu não vou mais à escola. Eu não quero sofrer mais o seu mau trato e o dos colegas. Vou ficar na minha casa onde sou amada, onde desejam que eu esteja e sentem a minha falta, se eu não estou.
Sinto muito não poder ser como a senhora quer. Sinto muito não conseguir aprender do mesmo jeito que os meus colegas. Eu quero, mas eu não consigo. Eu aprendo, mas, do meu jeito, mais devagar, com uma professora que tenha carinho e paciência. Uma professora que entenda que eu sou diferente e respeite as minhas diferenças.
Quando eu encontrar uma professora assim, eu voltarei à escola.
Porque desse jeito que sou tratada na escola, é como se me abrissem a porta da frente e me expulsassem.
Pois a porta se abriu, professora, e eu saí… fui embora…”

Uma situação dessas é inadmissível. É cruel. 

Nós, do ParaTodos, temos o sonho de mudar isso. Aliás, temos o sonho de não mais existir. Porque, quando nosso blog sair do ar, quando não mais formos visitar escolas, fazer palestras, escrever textos, ouvir pais, é porque a inclusão saiu do campo das ideias e virou realidade. Até lá, estaremos aqui. Que venha 2015, com mais palestras, mais textos e mais, muito mais, bem mais inclusão. 

Um comentário em “Pelo fim do Paratodos

  1. Eis aí uma experiência real. Infelizmente com minha filha. Sei que muitas crianças sofrem a exclusão escolar. Esta é a maior barreira na luta pela inclusão. Uma criança deixa de ir á escola, tem baixo rendimento, nem tanto por suas limitações. O principal empecilho à sua inclusão é a falta de acolhimento, a falta de afetividade e a falta de respeito às suas limitações.
    Deus criou o mundo para todos. Todos t~em o direito de serem felizes. Vamos lutar para derrubar as barreiras do preconceito, da omissão diante das diferenças!!! Seguirei sempre lutando por minha filha e por quantos eu puder auxiliar. Porque a dor da exclusão é a mesma para todos.

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