Por Ciça Melo

Graham Moore
DESCRIÇÃO DA IMAGEM: O roteirista Graham Moore posa com a estatueta durante a maior premiação do cinema

Quando eu tinha dezesseis anos, tentei me matar. Por que eu me sentia esquisito, eu me sentia diferente. Eu sentia que eu não pertencia. E agora eu estou aqui em pé. E queria dedicar este momento para aqueles que estão lá fora e se sentem esquisitos, se sentem diferentes, sentem que não pertencem a lugar nenhum. Sim, você pertence. Eu prometo. Você pertence! Continue diferente! Continue esquisito! E então, o dia que você estiver aqui neste palco, por favor, passe esta mesma mensagem!”.* (Graham Moore, em discurso no Oscar) 

 
“And the Oscar goes to…” Todo ano é esta a frase que fica na minha cabeça após a cerimônia do Oscar. Este ano, entretanto, um discurso me marcou. Em 30 segundos, o roteirista Graham Moore conseguiu me emocionar. Não por ter recebido o prêmio como Melhor Roteiro Adaptado. Aliás, pra ser bem honesta, nem vi o filme.
Entretanto, quando alguém tem a coragem de chegar num palco em frente a uma plateia enorme — sem falar dos inúmeros telespectadores que acompanham pela televisão ao vivo e outros tantos que depois assistirão à premiação — e dizer a todos que aos 16 anos tentou suicídio, esta pessoa já tem a minha admiração. Quando ouvi o motivo que o levou a tentar dar fim à própria vida, fiquei ainda mais encantada com a sua coragem. Ele assumiu o que muitos sentem a vida toda: viver à margem. Muitas vezes, sem falar para ninguém sobre isto. Ou, ainda, sem nunca falar nem para si mesmo sobre este sentimento de não pertencimento.
“A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver.”, escreveu Clarice Lispector.
Todos nós queremos pertencer, fazer parte. E quando a sociedade não aceita a diferença, gera o sentimento de não pertencimento. Que, em última instancia, pode fazer algo não querer pertencer de fato, e se suicidar.
Precisamos mostrar a todos que não precisamos ser iguais para pertencer. Sejamos esquisitos! Sejamos diferentes! Sejamos nós mesmos! Estejamos abertos para dar espaço, para acolher aquele que não pensa e não age como nós.
Graham Moore, obrigada por nos lembrar disto! Obrigada por nos mostrar que você foi capaz de superar suas dificuldades, manter-se diferente e ganhar um prêmio tão importante quanto ao Oscar. Parabéns pelo prêmio! Parabéns mais ainda pela coragem do seu discurso!
*Tradução livre feita pela autora do texto

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