DESCRIÇÃO DA IMAGEM: a foto mostra dois golfinhos, Winter (que tem uma prótese na cauda) e Hope. Elas estão juntas, em harmonia,  debaixo d´água
DESCRIÇÃO DA IMAGEM: a foto mostra dois golfinhos, Winter (que tem uma prótese na cauda) e Hope. Elas estão juntas, em harmonia, debaixo d´água

Por Ciça Melo

“Somos criados a imagem e semelhança de Deus. Se Deus é perfeito, somos, ou pelo menos nascemos, perfeitos.” E ouvindo o padre falar aos fiéis num domingo, comecei a refletir sobre o quanto a deficiência não era definitivamente o “esperado”. Como, então, aceitá-la? Como aceitar a imperfeição?
Muitas vezes, ouvimos frases como “nós, adultos, somos preconceituosos; as crianças aceitam aqueles que têm deficiência muito bem”. Discordo. As crianças aprendem copiando o que veem à sua volta. E, por isso, nem as crianças aceitam naturalmente aqueles que são diferentes, aqueles que tem alguma deficiência.
O natural não é a deficiência; a diferença, sim. É natural ser diferente. Todo mundo é, em alguma medida, diferente. Se todo mundo é diferente, qual dos diferentes é perfeito? Ou a imagem de Deus se reflete justamente na diferença? E o que é a deficiência? Uma diferença muito grande? Quão grande uma diferença precisa ser para ser classificada como deficiência?
Ou seria a deficiência uma desvantagem sobre algum aspecto da vida? Uma desvantagem sobre todos os aspectos? Qualquer desvantagem é medida em um contexto. E o contexto é criado pelo ambiente social e a história deste entorno.
Assistindo ao filme Winter 2, isto ficou claro pra mim mais uma vez. Na cena em que Winter, que não tem cauda, é apresentado a Hope – sua nova companheira de tanque –, a reação dela é imediata. Ao chegar perto do que seria a cauda da Winter, Hope estranha e, ao estranhar, se assusta e se agita. Mas não teria o comportamento de Hope sido “previsto” pelo roteirista que projetou nela sua própria rejeição do diferente/deficiente? Como as crianças, Hope age como os adultos/treinadores/roteiristas esperam que ela aja.
O que acontece em seguida é uma discussão de especialistas sobre como irão interferir para que aqueles animais se aceitem. É nisto que acreditamos!
E, agora que o ano “oficialmente” começou, convidamos a todos que sejamos estes “intercessores”. Para que possamos aceitar as chamadas deficiências, vamos encará-las com naturalidade. Somos todos diferentes. Se criarmos uma história de naturalidade, as crianças vão nos copiar e os futuros adultos já não sentirão “desconforto” com a presença de diferentes, como alguns muito honestamente admitem ficar. E a cada vez que são “honestos”, reforçam o desconforto e o preconceito em si e naqueles em que formam opinião.
Outra mensagem boa deste filme é que ele mostra como nós não conseguimos sobreviver sozinhos. Winter seria transferida para outro Aquário, caso não chegasse outro golfinho para lhe fazer companhia. Assim como Winter, qualquer ser humano precisa do convívio do outro. Precisa do amor e do carinho, da convivência e do aprendizado. Sejamos nós este outro, e enxerguemos na diferença a nós mesmos. Vamos entrar e habitar neste tanque. Este tanque é o mundo de TODOS, para todos.

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