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Por Carla Codeço

Quando nos tornamos mães, aprendemos a conviver com a culpa. Nascem as crianças e a culpa vem junto habitar nossos corações. É uma coisa inevitável. E isso para qualquer filho – tenha ele alguma deficiência ou não. Mas, na complexidade dos sentimentos que foram e são aflorados pela maternidade, dos meus três filhos, houve uma diferença de sentimentos que está diretamente conectada à deficiência de um deles. Não há como negar.

Quando Rafael nasceu, ele não era apenas mais um filho invadindo as nossas vidas. Com sua chegada, passei a me sentir responsável por agir ativamente para que ele fosse bem aceito pelo mundo. Senti-me obrigada a, de alguma forma, contribuir para mudar a sociedade com relação ao preconceito para que, assim, meus filhos pudessem viver melhor. A culpa então, que vem como uma sobra da prole, veio também me acompanhar nesta maternidade de ideias, maternidade de defesa e de construção constante de valores na sociedade.

Foi então que me engajei nos movimentos que pude, ajudando em grupos de discussão, organizando encontros, eventos e tudo que esteve e está a meu alcance. Considero que, ao invés de ter três filhos, tenho na verdade quatro. Um deles é este.

Para poder criar este quarto filho como ele merece, tive também de me reinventar, dar um jeito de driblar minha introspecção e timidez e interagir muito mais do que eu gostaria com vários grupos. E, desde seu nascimento, vou me reinventando como posso.

Escrevo, então, para fazer um convite para que mais pessoas engravidem desta ideia e gestem um filho como este filho ajudando na construção de um mundo que caibam todas as particularidades, diferenças e esquisitices. Por que um mundo onde todos pensam de forma similar e rejeitam qualquer forma um pouco diferente de expressão não tem a mínima graça. Vamos juntos construir um mundo que seja verdadeiramente Paratodos!

Um comentário em “O nascimento de uma mãe

  1. Carla querida, sempre trazendo sentimentos tão profundos como este de mãe. Um dia desses ouvi de uma mãe, de duas filhas já adultas, que a patir do momento que escolhemos, que nos tornamos mães, instála-nos um o medo da perda, o medo de ver nosso filho sofrer e isso é para sempre. E agora eu vejo você dizer sobre essa culpa que também nos invade. A verdade é que tudo isso pode ser assustador, às vezes, mas só nos mostra o quanto temos a fazer pelos nossos filhos. O que você chama de culpa, eu entendo como zelo, aquele tal de amor que chega até doer! É aquele sentimento mais primitivo de uma leoa encurralada tentando defender seus filhotes, capaz de tudo e contra todos. Um beijo
    Aracelli, mãe do anjinho Miguel.

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