FOTO_facha
Descrição da imagem: Foto mostra professora sentada, de cabeça abaixada, segurando a cabeça com as mãos. Ao fundo um quadro onde está escrito em giz ABC.

Por Carla Codeço e Carlos Figueiredo

Nós do Paratodos ficamos perplexos ao ler a nota publicada no O Globo sobre um acontecimento lamentável. Uma professora, isso mesmo, PROFESSORA da Faculdade Hélio Alonso –  FACHA, expressou seus pensamentos de forma leviana frente a uma turma repleta de alunos.

Seria, e foi, muita ingenuidade da professora, acreditar que seu comentário preconceituoso e impensado ficaria restrito às quatro paredes de uma sala de aula de JORNALISMO. Os alunos estão lá para aprender a discutir e difundir informação. Encontrar assuntos que interessem ao público. Claro, vazou. E agradecemos à tal professora, a oportunidade de usá-la como um conveniente bode expiatório para o exército de preconceituosos que anda por aí.

“Não me venha com um documentário sobre gente com Down, porque podem até achar bonitinho, mas aquilo é horrível, não adianta, odeio ver! Agora, vem aí dez semanas de dr, Dráuzio Varella (no “Fantástico”) com este tema, um saco. Quem quer ver isso?!”

Não contente de fazer um comentário criminoso, (Sim, discriminação é crime!)* ainda o faz frente a uma turma repleta de alunos. Logo ela que deveria estar formando pessoas está contribuindo para multiplicar seu olhar preconceituoso.

Mas o que a incomoda tanto? O que a faz achar tão horrível olhar para outras pessoas com uma condição genética diferente da dela? Muito provavelmente está desprovida de humanidade.

Felizmente um dos alunos teve a firmeza de levantar a voz e discordar da mestra. E a professora, não contente, ainda completa com mais uma frase preconceituosa e de profunda intolerância, dizendo:

“Ah, então você quer um filho com síndrome de Down??”

Como se escolhêssemos nossos filhos na prateleira de um supermercado. Como se escolhêssemos se terá olhos claros, pele morena ou seu tipo de cabelo. Filho é filho e a síndrome de Down faz parte de ser humano. É apenas mais um aspecto possível, que compõe as múltiplas características de uma pessoa.

Penso também nos pais destes alunos. Sim porque certamente haverá inúmeros pais que realmente educam seus filhos de forma correta. Educam seus filhos para a vida em sociedade, esclarecendo sobre inclusão, racismo ou homofobia. Ensinando respeitar as pessoas pelo que são. Independente de suas opiniões, afetos ou capacidades. E esta senhora vem prestar um serviço de deseducação desta forma. Se isto é o que ela fala em público, tenho medo de imaginar que tipo de pensamento ela guarda apenas para si.

Faço um convite a esta professora que ouça ao aluno que discordou dela. Ouça e se deixe educar por ele. Já que, ao menos em relação à humanidade ela não tem nada a ensinar. Quem sabe ela consegue aprender que quem tem síndrome de Down continua sendo gente. Gente bonita, feliz, às vezes rico, às vezes pobre, às vezes negro, às vezes branco, às vezes hétero, às vezes homossexual. Mas é preciso que sejam respeitados SEMPRE.

*Art. 88. Praticar, induzir ou incitar discriminação de pessoa em razão de sua deficiência: Pena – reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.

Resposta da FACHA, publicada no Facebook:

“À Comunidade Acadêmica da FACHA,

Quero expressar o meu mais profundo repúdio ao fato ocorrido em sala de aula, no dia de ontem, e envergonhado, com o comportamento, postura e conduta adotados por determinado professor, pedir desculpas a todos que, como eu, se sentiram ofendidos com pensamento tão preconceituoso e totalmente fora dos princípios éticos e morais que regem nossas ações há 44 anos.

Ao longo de sua história de quase cinco décadas, a Facha tem pautado o seu trabalho acadêmico, baseado no respeito aos valores éticos e morais, jamais permitindo qualquer tipo de discriminação, seja ela qual for. O que ocorreu é absolutamente lamentável. Inacreditável.

Lamento profundamente esse mais do que triste episódio e informo que o docente será chamado a se explicar, se é que existem explicações para fato tão repugnante.

Quero, contudo, deixar claro que o pensamento do docente não reflete obviamente o pensamento dos dirigentes da Facha e que cada um responde por seu atos.

Professor Paulo Alonso
Diretor-Geral
FACHA”

7 comentários em “Sorria, você está sendo filmado!

  1. Acho que ela deveria ser presa,afinal de contas é crime.
    Complementando ,se uma pessoa tem coragem de falar isso em público, imaginem o que não é capaz de fazer com qualquer pessoa(não só com portadores de SD).
    Meu nome é Cláudia Paderni e tenho maior orgulho em ser mãe da Manuela Paderni de Brito,se eu pudesse escolher eu não trocaria jamais,eu escolheria ser mãe da Manuela Paderni de Brito.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Fico feliz que ao menos um aluno tenha discordado das palavras da professora. Com certeza ainda há muitas ações preconceituosas como estas em que não vemos alguém com voz ativa para discordar, questionar e verbalizar o crime. Ainda tenho fé na humanidade por isso ainda espero que possa ver mais alunos como este. O problema não é só existir o preconceito, também é se calar diante dele.

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  3. Falta algo de grande importância na notícia: “quem?”
    Qual professora?
    A faculdade e outros profissionais de lá acabam suportando e dividindo a culpa por um ato de extrema ignorância praticado por uma única pessoa.
    Em respeito à instituição e ao corpo docente deve ser publicado o nome da professora em questão.

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  4. Falta algo de grande importância na notícia: “quem?”
    Qual professora?
    A faculdade e outros profissionais de lá acabam suportando e dividindo a culpa por um ato de extrema ignorância praticado por uma única pessoa.
    Em respeito à instituição e ao corpo docente deve ser publicado o nome da professora em questão.

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  5. É uma pena que a formação de nossos jovens esteja nas mãos de pessoas assim. Essa professora externou seu preconceito claramente. Outros, o fazem de forma velada, fato não menos grave!

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  6. Expor o nome das pessoas tbem pode ser considerado difamação e calúnia.Se o fizessem,seria bem capaz de ela conseguir reverter o quadro, passando a ser a vítima.
    Certamente essa “professora” já teve o merecido. Além da Justiça dos homens,lei do retorno é imbatível,sempre. Tomara que o ocorrido sirva como lição de vida pra ela.Afinal de contas, ninguém escolhe os parentes que vai ter. Ela não deve pensar q pode ser a próxima a ganhar na família um parente com Síndrome de Down ou outra deficiência.

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