Por Carla Codeço

O Paratodos está sempre por aí, falando em inclusão. Seja virtualmente através do site e Facebook ou pessoalmente em nossos workshops, em reuniões nas escolas. Falamos sobre inclusão o tempo todo. Alertamos quando é preciso mais recursos pedagógicos nas escolas, plano curricular, cobramos que leis sejam cumpridas, brigamos para que mais leis sejam criadas. Reconhecemos que falta formação para muitos professores, indicamos cursos, bibliografia, fazemos palestras.

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DESCRIÇÃO DA IMAGEM: a ilustração mostra uma árvore cujos galhos trazem mãos abertas de diferentes cores, em vez de folhas

Apesar disso tudo, apesar de sabermos que tudo isso é necessário para que a inclusão aconteça, reconhecemos que é apenas o começo, o ponto de partida. É preciso algo muito mais importante. É preciso ter consciência de que incluir não é simplesmente um serviço prestado. Incluir é pensar no outro. Não de vez em quando, não apenas quando se está dentro de um programa ou trabalhando em uma escola. É pensar no outro em qualquer contexto e reconhecê-lo como sujeito de direitos. SEMPRE. É saber que TODOS têm os mesmos direitos e obrigações.

É preciso receber o aluno com deficiência ou algum transtorno de desenvolvimento ou aprendizado como se recebe os demais: acreditando verdadeiramente em sua capacidade. Olhando pra ele e enxergando que ele também está em constante crescimento e formação. É perceber que a turma não é formada por trinta alunos mais um aluno “de inclusão” e sim por trinta e um alunos diferentes entre si. Trinta e um alunos que aprendem de formas e ritmos diferentes. Trinta e um alunos que chegarão ao final do ano letivo com níveis de aprendizado distintos. É preciso saber enxergar a beleza da diversidade. Todos somos diferentes. Que bom!

Ouso dizer que esta sensibilização, esta mudança na forma de reconhecer o outro com respeito da forma que é é nossa tarefa mais difícil. Não é um recurso que se possa comprar. A escola pode contratar consultores que entendam de inclusão, pode enviar seus profissionais para cursos de especialização, pode adquirir equipamentos e produzir materiais adaptados. Mas, se sua equipe não tiver uma atitude verdadeiramente inclusiva, todo este investimento não servirá de nada.

Um educador que mude seu olhar e consiga enxergar e acreditar verdadeiramente no potencial de TODOS será o melhor educador que pode haver. A inclusão é muito mais do que um serviço. Depende do que se sente, do que se está disposto a fazer. Depende de que de fato se reconheça o direito de TODOS a pertencer. Não se inclui por bondade, não se inclui por pena ou porque é bonito. Inclusão é direito. Não há outro caminho a seguir. Então, vamos lá?!

Um comentário em “Inclusão e atitude

  1. Carla, que texto!
    Adorei! Parabéns!
    É exatamente isso! As pessoas devem entender que nossas crianças não são mais um aluno de inclusão, e sim mais um aluno como os outros.
    Obrigada pelo trabalho desenvolvido!
    Bjs,
    Marcia

    Curtido por 1 pessoa

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