Por Ciça Melo

Puxa vida! Que tristeza saber que Martha Medeiros (colunista da Revista O Globo) declarou na sua coluna de domingo que arrancou “o adesivo vive la diference do vidro*” do seu carro.

No texto, ela afirma que os pares devem ser o mais similar possível. Para exemplificar, brinca com os diversos tipos de animais. Preconizando que gambá deveria se unir a gambá. Diz que isto facilita e “encurta o caminho”. Depois, diz ainda que “o diferente nos desafia, mas também nos cansa”.

gamabaMais a frente, explica, o que melhora um pouco, que “em se tratando de amigos, colegas e outros que compõem o elenco” da sua relação, ela topa a diversidade. Ufa! Ao menos isto. Porém retoma a ideia de que, “para dividir” o volante, precisa de uma pessoa que goste das mesmas coisas de que ela. Que pena! Fala até que gostaria de encontrar alguém “não preconceituoso como ela”. Será?

Querida gambá, desejo de coração que você encontre um avestruz que te faça mudar de ideia. Ate porque  já estou convencida de que as vezes não adianta falar. Precisamos viver a experiência e ver assim os maravilhosos resultados.

Só pra sair do mundo animal, costumo dizer que, aqui em casa, eu sou um power point e meu marido, um excel. Eu sou mulher, ele é homem. Sou carioca; ele, pernambucano. Ele acorda cedo e eu adoro dormir até mais tarde. Ele gosta de cozinhar, e  eu, de comer.

Ao longo dos nossos quase dezoito anos juntos, aprendemos a conciliar algumas diferenças e a conviver com outras. Algumas são até complementares. Imagina se ele gostasse de cozinhar e eu não gostasse de comer. Seriamos incompatíveis? Ou poderíamos convidar amigos para degustar seus experimentos sempre que ele quisesse cozinhar…

avestruz
Quanto aos horários de dormir, tivemos que conciliar, sob o risco de vivermos como no filme O Feitiço de Aquila. Neste caso, seriamos águia com lobo. Porém, não foi preciso uma mudança drástica, mas um pequeno ajuste, e até hoje (quando as crianças deixam – raros momentos estes) acordo direto para a mesa de almoço.

Enfim, caso o adesivo não tenha ido para o lixo, eu adoraria colá-lo no vidro do meu carro. “Vive la diference”*.

* Significa viva a diferença.

Um comentário em “Gambá com Avestruz

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