FOTO_que paisPor Carla Codeço e Ciça Melo

O Paratodos esteve presente no evento Educação 360, na Escola Sesc de Ensino Médio na cidade do Rio de Janeiro. Pudemos assistir ao Ministro de Educação do Brasil, Renato Janine, na Conferência Magna. O tema escolhido por ele foi “A ética é o que nos faz falta”. O ministro falou muito sobre igualdade de oportunidades, tanto no que ele chamou de ponto de saída, quanto em termos de ponto de chegada. Citou Zygmunt Bauman ao falar sobre a “perda do laço social”, ressentindo o fato de que hoje não há compromisso com a sociedade. Disse ainda: “Não pensamos em retribuir aquilo que recebemos”. Falou sobre o livro da Hillary Clinton “It Takes a Village”, explicando, inclusive, que o título vem de um provérbio africano, mostrando que todos ao redor de uma criança contribuem para a educação da mesma. O ministro Janine reiterou ainda, parafraseando o poeta inglês John Done, que nenhum homem é uma ilha e que somos responsáveis por aqueles que estão ao nosso redor. Após uma hora de fala, o jornalista Antônio Gois iniciou a sessão de perguntas enviadas pela plateia. O Paratodos perguntou sobre a questão da igualdade de oportunidades no que diz respeito à pessoa com deficiência.

Depois de ter falado tanto sobre responsabilidade social, o ministro respondeu que a federação já fez muito, mas reconheceu ser ainda insuficiente. Disse ter visitado várias salas de recursos em escolas, mas reconhece que estas precisam melhorar e que ainda são poucas. Falou que tem escolas que estão muito bem preparadas, porém admitiu que também são poucas. Afirmou ter um bom diagnóstico da realidade e métricas já definidas. Entretanto, disse que, na situação de crise em que o país se encontra, não há condição de cuidar disto agora.

Por “isto”, entenda-se uma parcela grande da sociedade. Cidadãos brasileiros.

Pela manhã, Marjo Kyllonen, uma gestora de educação da Finlândia, havia falado muito sobre trabalhar em conjunto com todos, não apenas os alunos, mas os professores também. E complementou ainda com a necessidade de trazer outros atores da comunidade para participar da educação. Não somos a Finlândia, somos um país muito maior, muito mais desigual, e, como disse nosso ministro, “carregamos esta desigualdade social para dentro das salas de aula”. Entretanto, podemos e devemos caminhar em direção à Finlândia. Dizer simplesmente que estamos em crise é negar o próprio processo de educação.

Se somos responsáveis por aqueles que estão ao nosso redor, como podemos, em nome da crise, privar pessoas de um direito inalienável? Que país é este que separa crianças em tipos elegendo, qual tipo tem direito à educação e qual subtipo tem que esperar que a tal crise passe para então ser tratado como um cidadão??

Que vergonha, Ministro! Que vergonha escutar de uma autoridade de nosso país que até os direitos entram em crise.

Um comentário em “Que país é esse??

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