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Por Fabiana Ribeiro

“Marginal, marginal!”

“Surra no bandidinho!”

“Essa mãe não dá limites!”

“MONSTRO!!”

Frases como essas se repetiram e se multiplicaram nas redes sociais após um vídeo ter exibido um menino jogando pelos ares livros, pastas, papeis e derrubando cadeira, banco, mesa numa escola pública em Macaé. “O que a gente faz com uma criança dessa?”, pergunta alguém no vídeo. E a resposta vem pouco depois: chamar bombeiro, polícia – alguém que resolva essa situação.
O vídeo mostra a total inabilidade da escola em lidar com o menino. Mas o que tem o menino, afinal? Falta de limites? Revolta? Ou algum transtorno psíquico?
É preciso lembrar que o papel do educador foi sucumbido naquela sala. Um educador que joga ou deixa vazar isso em público deixa de ser educador e passa apenas a ser mais um espectador do que lhe é estranho. Ou, ao contrário, vira cineasta do desespero. Documenta como se quisesse se defender. Grava para se proteger. E quem protege o menino?
Enquanto filmavam a cena da destruição, esqueceram que ali tinha um ser humano. Ligaram suas câmeras e desligaram a própria humanidade. Esqueceram do poder avassalador da internet e deixaram que um menino fosse exposto à violência de Facebooks, Youtubes e, claro, aos julgamentos da própria comunidade em que vive. Esqueceram que a maior violência não foi deflagrada sobre mesas e cadeiras, mas sobre a própria integridade da criança. Foi brutal.
Foi brutal ver a inabilidade, a incompetência e, sim, a falta de carinho dos profissionais daquela escola. Foi mais chocante do que qualquer inadequação do garoto. Afinal, se sua raiva foi tamanha a ponto de ser violento, os adultos ao redor não souberam lidar com este comportamento. Abandonaram-o à própria sorte. Revidaram com desprezo. Azucrinaram com negligência. Parecia não haver adultos naquele ambiente, muito menos educadores. E tudo isso seja ele apenas um garoto revoltado, seja uma criança sem limites em casa ou seja alguém com um transtorno que o levou a querer destruir tudo. Não importa porque, acima e antes de tudo, o menino é uma CRIANÇA. Com letras maiúsculas, negrito, estatutos e todo o mais que lhe é de direito.
Em defesa, saíram poucos. A internet é cruel. Mas sempre há uma voz que se levanta em meio ao torpor do senso comum. Teve uma brava mãe que disse: “Meu filho fez a mesma coisa”. Denunciou a total inabilidade da educação em lidar com transtornos, assim como a dificuldade em lidar com uma criança que tem uma agressividade advinda de um transtorno. Não é fácil, não.
Uma criança, como a do vídeo, não precisa de surra. Precisa de tratamento adequado (psicológico, médico), respeito e proteção. Precisa de família. Precisa de uma comunidade a seu redor fortalecida. De gente que o abrace em tempos de paz e o entenda em tempos de guerra.
video
NA FOTO: A imagem traz uma mulher ao lado do seu filho. Trata-se da imagem capturada do vídeo que a mesma publicou em defesa da criança de Macaé.

2 comentários em “Professor ou cineasta?

    1. O vídeo mostrou uma situação que pode acontecer em qualquer escola, e acontece. Situações como essa que sai fora da rotina considerada regular. Acontece porque os transtornos de comportamento existem, sempre existiram, os distúrbios, alguns frequentes, outros esporádicos, conforme o caso. O que precisamos, como professores, é de maiores informações, de preparo de como lidar com esses fatos. Porém, apesar da falta de maiores esclarecimentos como profissionais, os professores .são seres humanos adultos. Muitos são país e mães. Se seus filhos agissem assim em determinado momento, precisariam de cursos de qualificação para lidar com a situação? Há momento em que precisamos ter melhor qualificação de ser humano, acima de tudo. Principalmente como educadores. As duas situações nos deixam perplexos: as atitudes da criança e a falta de ação dos adultos ali presentes. Atitudes equilibradas e seguras seria o mais recomendável naquele momento.

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