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NA FOTO: Mães de alunos da Escola Nova se reúnem em brinde. No meio e sentada, Daniela Griner.
“Assumimos uma identidade de grupo: a causa de cada um virou nossa”.
Daniela Griner, uma das integrantes da Comissão de Inclusão da Nova

Cerca de vinte famílias da Escola Nova comprovam o que o bom e velho ditado popular já anuncia há tempos: a união faz a força. E faz mesmo. Há quase dois anos, a escola abriu espaço para uma Comissão de Inclusão dentro do chamado Conselho de Pais — criado em maio de 2012. Então, não se trata somente de um grupo de pais que se uniu e apresenta suas demanda para a escola — o que já é incrível. É um pouco além. O que se tem é um grupo de pais que se uniu dentro da escola e, com o aval da mesma, discute as demandas de inclusão dentro da escola e com a escola.

É a política do ganha-ganha. Juntos, escola e famílias passaram a construir o modelo de inclusão que atende a essa comunidade. E um dos maiores ganhos dessa parceria foi a contratação, meses depois, de uma responsável pela inclusão do colégio. E isso, detalhe importante, antes mesmo do empurrãozinho que a Lei Brasileira de Inclusão (a LBI, sancionada em julho deste ano) vai dar para que muitos colégios assumam de forma genuína todos os seus alunos. Longo ainda é o caminho, como se sabe, mas ele pode ser menos árduo quando cada um, dentro do seu papel, coloca um tijolinho.

Leia, a seguir, a entrevista com Daniela Griner, que integra a Comissão de Inclusão da Escola Nova.

PARATODOS: Quando vocês resolveram se unir em um grupo?

Tudo começou com a criação do Conselho de Pais da escola em maio de 2012.  Logo se percebeu que havia temas variados a serem trabalhados. Foi sugerido, então, que o Conselho se dividisse em Comissões Temáticas, mas sempre tendo o Conselho como o centro. Então, em novembro/dezembro de 2013, o Conselho decidiu criar a Comissão de Inclusão. Hoje somos um grupo de mães que nos tornamos amigas e temos liberdade para conversar, discutir, desabafar e tratar dos temas da inclusão na nossa escola. Nossa Comissão técnica está se fortalecendo cada vez mais. É a nossa vida e a vida de nossos filhos. Não podemos sair ou desistir. Queremos o melhor para eles. Assumimos uma identidade de grupo: a causa de cada um virou nossa.

PARATODOS: Como foi a recepção da escola?
A escola também faz parte do Conselho. As reuniões do Conselho são dentro da escola, portanto, não houve surpresa. Somos cria da escola. No whatsapp, por exemplo, a coordenação participa deste grupo. Essa união deixa claro que a gente tem muito a dizer.
PARATODOS: Vocês costumam se reunir? 
Nos encontramos uma média de uma vez por mês em restaurantes, na casa de alguém ou em cafés. Há reuniões para tratar de assuntos temáticos da escola, assuntos diversos, cotidiano da escola, troca de experiências, ENEM, profissionalização e de futuro, passado e presente.
PARATODOS: O que o grupo já conseguiu efetivamente? 
O entendimento no ambiente escolar de que somos um grupo legitimamente constituído para tratar dos alunos em inclusão. Nas Olimpíadas da escola, teve a realização de provas com a participação de todos em modalidades adaptadas para os alunos com deficiência, que também estavam incluídos nas equipes. Foi um evento maravilhoso! A Coordenação de inclusão com a admissão da supervisora Marcela. O envolvimento do corpo docente cada vez mais de forma inclusiva e abrangente. A sensibilização de toda a comunidade escolar no convívio diário e social. Criação de bancos de dados e metodologias centralizados na coordenação de inclusão.
PARATODOS: Qual o impacto que vocês viram na qualidade de vida escolar dos filhos dos pais associados ao grupo? 
Identificar práticas e experiências em casos semelhantes poupando energia, tempo e  custo financeiro.  É a criação de um banco de trocas de experiências e informações dentro da escola, isto é, com coordenação, corpo docente, mediadoras e alunos. Além disso, atualmente, as crianças são mais percebidas na escola por seus colegas que se identificam com comportamentos semelhantes para lanchar em grupo, conversar sobre programas em comum, fazer atividades extra curriculares em conjunto.
PARATODOS: Vocês acreditam que conseguiriam o mesmo, se não estivessem organizados em um grupo?
Certamente o grupo nos deu empoderamento pois nos trouxe a consciência não só do coletivo, com a troca de experiências e práticas dentro do ambiente escolar, mas também nos trouxe a consciência da necessidade de definição de parâmetros para prosseguir no processo de inclusão e de que, para este processo de inclusão se aperfeiçoar, a parceria entre as famílias e a escola é fundamental, isto é, uma via de mão dupla.
PARATODOS: Na opinião de vocês, quais são os maiores desafios para a inclusão?
A escola se adaptar genuinamente ao processo de inclusão, isto é, capacitar o corpo docente, alunos, funcionários e pais. Conceber uma estrutura física de sala de recurso para a consolidação de técnicas inclusivas educacionais, como mediação, material adaptado, currículo escolar adaptado. E tudo isso vai depender de um esforço coletivo de pais e escola trabalhando juntos em sistema de parceria.♦                                                                                                                                                                                              
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Um comentário em “Quando a causa de um é de todos

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