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Por Ciça Melo

Je suis Charlie. Sou Maju. Sou Taís Araújo. Je suis Paris. Qual será o próximo? Aqui ou no mundo, tenho visto as pessoas se preocupando cada vez mais em tomar partidos. É claro que, em muitos momentos, precisamos nos posicionar. Entendo também que as “campanhas” têm um objetivo inicial de engajar as pessoas em defesa de outras. Entendo ainda que é uma forma de se solidarizar com a dor do outro. É obvio que isto é maravilhoso (bom, nada mais é óbvio …). Entretanto, tenho me perguntado se estas manifestações não fazem parte desta nossa necessidade de segregar, de nos fechar em guetos. Afinal, ir a favor de uns acaba muitas vezes indo contra outros. Acaba reforçando a ideia de nós e eles.
Loucura? Talvez.

O que me levou a pensar isto? Quando leio os comentários nas redes sociais, vejo mais pessoas se manifestando contra o algoz do que a favor da vítima. E muitas das manifestações contém muita raiva e até violência. Já li um comentário que dizia “apenas América e Europa são civilizações, os outros são macacos”. O que significa isto? Sem falar dos inúmeros comentários misturando a questão dos refugiados e dos terroristas. Cheguei a ler “isto é o resultado de abrir as fronteiras para refugiados”. Oi? É isto mesmo? Ou ainda, um senhor que disse “educação não surte efeito, força sim!”.

As pessoas que estão por trás destas palavras são as pessoas que estão ao nosso lado, no dia a dia. Ao contrário, do que eu às vezes gostaria de pensar. Instagram, facebook, twitter e outros mais expressam sim opinião das pessoas. Estas opiniões são transformadas em atitudes. E são estas atitudes que constituem e constroem o nosso mundo.

Coincidentemente, uma amiga me disse esta semana, parafraseando a sua professora: “a ideia de consenso é algo que se possa conviver e não concordar”. É isto! Não precisamos concordar com as ideias uns dos outros, mas precisamos conviver. Precisamos achar formas de viver juntos no mundo! Precisamos achar meios de frequentarmos as mesmas escolas, os mesmos ambientes. Cada um pode ir a sua igreja, templo ou qualquer outro lugar de culto, ou nenhum lugar de culto. Mas alguns lugares precisam ser de todos. E, nestes lugares, precisaremos conviver, mesmo sem concordar.
Sigo acreditando que a educação surte efeito sim! Que quanto mais crianças “juntas e misturadas” tivermos, menos conflitos teremos.

Meu filho de onze anos participa com outros meninos e meninas de programas do grupo CISV. Um deles se chama “Conflitos e Resoluções”.   A psicóloga americana Doris Allen criou este grupo em 1951, logo após a segunda guerra mundial, chocada com a devastação provocada pela guerra. “Devemos começar pelas crianças”, disse ela na época. Hoje estão presentes em mais de 60 países, oferecendo atividades educacionais em grupo, sempre com o objetivo de promover o entendimento e a paz.

Se envio meu filho para programas desta instituição, é porque concordo que a transformação começa por nós. Precisamos parar de falar “façam” e simplesmente fazer. Atuemos em nossas casas, em nossas escolas, em nossas padarias! Quanto mais diversidade tivermos ao nosso redor, mais ensinaremos tolerância! E em última instância, menos guerra, mais paz! Sejamos todos pela paz. Sou pela paz. Je suis pour la paix.

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