rubybridges
DESCRIÇÃO DA IMAGEM:  na foto, em preto e branco, uma menina negra, Ruby, desce a escada da escola. A seu redor, policiais federais, de terno e gravata, fazem a sua escolta.

 

Por  Ciça Melo

Em 1954, a Suprema Corte Americana decretou que todas as escolas do país cessassem com a segregação racial. Neste mesmo ano, nascia Ruby Bridges. Com apenas seis anos de idade, Ruby foi voluntária num processo de integração ao ingressar numa escola de brancos em Nova Orleans. Na época, o pai relutou, entretanto, sua mãe insistiu. Ela disse que era necessário “não só para a melhor educação da sua filha”, mas também porque era preciso “dar um passo a todas as crianças afro-americanas”.

Como o período era conturbado, a pequena Ruby tinha que ser escoltada. Todavia, a polícia local se recusou a ajudar. Tiveram que enviar oficiais federais. Quase todos os pais retiraram seus filhos das salas de aula antes de Ruby entrar, quase todos os professores se recusaram a dar aula. A exceção foi a educadora Barbara Henry. Durante um ano, a menina Ruby teve aula particular em uma sala isolada.

Os protestos do lado de fora eram constantes. “Two, for, six, eight, we don’t want to integrate” (tradução: dois, quatro, seis, oito, nós não queremos integração – em inglês há uma rima). Ela sofreu diversas ameaças, seus pais também foram perseguidos. A ameaça de envenenamento fez com que ela não pudesse lanchar na escola. Apesar disto tudo, várias pessoas ajudaram a família. E, no ano seguinte, inspirados pela sua coragem, outras famílias matricularam seus filhos.

Em 1999, Ruby criou uma fundação para “promover os valores da tolerância, respeito e valorização de todas as diferenças”. Recentemente, Barack Obama disse a Ruby Bridges que provavelmente, se não fosse por ela, ele não seria presidente dos EUA hoje. Neste encontro, Ruby disse “eu não sabia nada sobre racismo até entrar naquela escola vazia”. E ela segue, contando o que ela aprendeu no seu primeiro ano de escola: que nós não sabemos nada sobre “não gostar dos outros” até chegarmos no mundo.

É nisto que acredit. Tudo acontece a partir do que aprendemos, da convivência, da oportunidade de conhecer o outro. Não pela sua cor, pelo fato do outro não enxergar ou pelo fato de ele não acreditar no que eu acredito ou pensar de forma diferente da minha.

Assim, passados 55 anos, num lugar não tão distante, uma lei determina que todas as escolas neste país cessem a outro tipo de segregação. A inclusão de pessoas com deficiência nas escolas é obrigatória. Muita discussão se inicia, muitas dúvidas, algumas revoltas. O início de uma grande mudança é sempre doloroso. Professores estão reclamando, pais de crianças sem questão não estão entendendo o que está acontecendo. Os próprios pais de crianças em situação de inclusão estão inseguros. Afinal, quem quer ser o pai de Ruby? E mais ainda, quem tem coragem de ser a Ruby?

O que muda na sua escola com a nova lei? Clique e responda a nossa pesquisa. Sua participação é importante.

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