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DESCRIÇÃO DA IMAGEM: Foto antiga e em preto e branco de uma professora próxima ao quadro escrevendo com giz e várias crianças próximas ao quadro atentas à aula.

Por Carla Codeço
A Lei Brasileira de Inclusão detalha o que já estava exposto em lei. Detalha para tentar diminuir distorções, interpretações mau intencionadas. Mas, e as escolas? Estão se adequando minimamente por medo das sanções da lei ou reconhecem que de fato é hora de arregaçar as mangas e considerar TODOS os alunos? Chega de mimimi. É hora de fazer de fato.

Para ser possível esta grande mudança, é preciso acreditar no potencial de TODOS os alunos. Sabe aquele aluno que não está respondendo como você esperava, no formato que você esperava, dentro da caixinha idealizada? É preciso enxergar as conquistas dele também. E vibrar. É preciso vibrar com as conquistas de todos, mesmo que algumas estejam aquém das conquistas da maioria na turma. Porque, se formos procurar, haverá sempre algo pra se queixar. Está lendo? Ah… mas e o comportamento, como anda?? Está aceitando desafios e progredindo nas atividades acadêmicas propostas? Ah… mas e a autonomia??? Além desta imensa dificuldade em olhar para a parte cheia do copo, há muitas outras mazelas que não quero ficar esmiuçando aqui. Minha intenção é falar sobre o ponto de partida. E o ponto de partida é este: acreditar na capacidade de cada um. Se a equipe não é capaz de enxergar o potencial destes alunos, como estes crescerão e se desenvolverão dentro da escola??

Sem reconhecer que seus alunos podem, sem acreditar que com investimento irão longe, têm uma resistência sem tamanho a providenciar as adaptações necessárias para garantir a tão falada acessibilidade. É a danada da barreira atitudinal ali, firme e forte! Falo também por experiência própria. Inúmeras são as reuniões (Sim, faço questão de estar sempre disponível para a escola. Como se eu não tivesse que estar em meu escritório trabalhando para ganhar a vida, como muitos.) em que nós, solicitamos adaptações para que o nosso filho, que tem deficiência intelectual e baixa visão, pudesse estar melhor inserido no grupo. Desde o tamanho (diminuto) do papel usado para desenhar na Educação Infantil, até que fosse oferecido a ele o mesmo conteúdo do 4º ano e não um conteúdo paralelo completamente desconectado do grupo. Inúmeras reuniões, ou melhor, inúmeros cabos de guerra. Sim, como se não bastasse nos ausentarmos do nosso trabalho para ir até a escola discutir o fazer inclusivo (responsabilidade da própria escola), temos que fazer uma queda de braço por que a resistência é grande. Nenhuma sugestão ou crítica penetra de primeira.

Penso que esta grande resistência vai sendo alimentada pelo desenho atual da maioria das escolas que não prescinde de mediação para seus alunos com alguma deficiência ou diagnóstico que sugira necessidade de ajuda. A tentação da facilidade de delegar à mediadora a responsabilidade pelo aluno é grande. Quando é pra decidir que atividade adaptada deve ser desenvolvida em determinados momentos ou até quando há um alguma questão de comportamento. Mais fácil que educar e investir no coletivo é isolar em uma sala separada ambos. Preso e capataz, ou melhor, aluno e mediadora. Se faz confusão no recreio, que fique a semana inteira impedido de ir ao recreio. Pronto! Problema resolvido! Ou, pelo menos, adiado.

Nós, familiares, investimos muito para que nossos filhos frequentem a escola. É comum ver famílias custeando todo tipo de consultoria especializada para estarem presentes em reuniões na escola na esperança de que esta esclareça sua dúvida e consiga, finalmente, atender de maneira correta seu filho. A escola precisa fazer a parte dela também. Não pode, de maneira alguma, ser um lugar que reforça o status de diferente e de excluído do grupo. Se não se comporta bem um dia, recebe como medida educativa passar a semana seguinte inteira sem recreio. Se não consegue acompanhar o ritmo acadêmico da turma vai sendo cada vez mais afastado do grupo o que mina a motivação e piora o desempenho. Estas ações recorrentes acabam por reforçar um círculo vicioso de reforço de tudo que não queremos e que só tem um desfecho: o fracasso completo depois de tanto investimento.

O que me conforta de certa forma e me dá energia para seguir em frente é saber que acabou o tempo de empurrar pra debaixo do tapete, acabou o tempo de fingir que estão fazendo educação de verdade para todos. Hora das escolas se movimentarem, arregaçarem as mangas e treinarem sua equipe. Fazer com que enxerguem em seus alunos com deficiência um aluno com potencial. Assim como os demais. A Lei Brasileira de Inclusão está aí e sim, senhoras e senhores, nós, pais, temos ciência dela!

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4 comentários em “Vamos construir uma nova escola?

  1. Ciça querida,

    Não tenho o seu e-mail pessoal mas gostaria de agradecer pelo presente que hoje mesmo já estamos lendo.

    Muito Obrigada

    Feliz Natal e um 2016 maravilhoso

    Carla Maia

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