FOTO_diálogo
DESCRIÇÃO DA IMAGEM: foto mostra um ambiente inteiramente escuro e no centro uma porta entreaberta por onde entram uma pessoa e um pouco de luz.

Por Ciça Melo
O Paratodos esteve na mostra Diálogo no Escuro – Rio. Durante 45 minutos ficamos sem enxergar absolutamente nada. Iniciamos o percurso. Éramos em oito e a experiência provocou diferentes reações. Uns queriam acelerar o passo e descobrir logo o que estava pela frente. Outros pensaram em voltar prá trás em busca da luz. Afinal, não estamos acostumados a não enxergar. E isto nos provoca medo e insegurança. Levando-nos a um lugar onde nunca estivemos.

É justamente este o objetivo do projeto “Diálogo no Escuro”. Após 140 cidades de 40 países, chega finalmente ao Rio de Janeiro. A experiência multi-sensorial leva um grupo de visitantes munidos de bengalas a descobrir o que está no caminho. Sempre orientados por um guia cego que vai através da voz comandando o grupo todo. São quatro cenários em três ambientes que simulam a cidade.

No trajeto, muitos tropeços e vários esbarrões acontecem. No nosso grupo são muitas crianças, mas difícil ainda. Somos obrigados a usar nossos outros sentidos, audição, tato e o olfato. Somos impelidos a pensar no outro, a pensar como as pessoas cegas fazem no seu dia a dia. Se colocar no lugar do outro nos faz repensar o nosso próprio lugar.

Ao final, ainda no escuro, sentamos para conversar. Nesta hora, por incrível que pareça, foi o momento que mais senti falta da claridade. Preferi andar no escuro a falar no breu. Não ver o rosto do outro enquanto falamos, me afligiu muito mais. Pudemos perguntar sobre o projeto e sobre a vida da nossa guia.

Lucas, onze anos, perguntou como ela usava o dinheiro. A guia rapidamente respondeu: “uso o dinheiro como todo mundo, para comprar o que eu preciso”. E sem perder o fôlego, continuou: ” mas acho que você quer saber como faço para diferenciar as notas, correto?”. Assim que ele confirmou, ela prosseguiu dizendo que em casa com alguém separava as notas em diferentes locais na carteira. E que depois, na rua, precisava confiar nas pessoas ao receber o troco.

Fomos pra casa refletindo. Pensando no outro, pensando nesta questão da confiança. E como diziam no release “o passeio pode durar pouco menos de uma hora, mas os efeitos dele, podem durar a vida toda”. Não deixem de ir!

DIÁLOGO NO ESCURO
local: Museu Histórico Nacional. Praça Marechal Âncora, s/nº – Centro (3299-0324)
quando: Ter a sex, das 10h às 17:30m. Sáb e dom, das 14h às 18h.

Meia Entrada: Estudantes, Pessoa com deficiência e um acompanhante, Idosos (pessoas com mais de 60 anos), jovens pertencentes a famílias de baixa renda, com idades de 15 a 29 anos, Diretores, coordenadores pedagógicos, supervisores e titulares de cargos do quadro de apoio das escolas das redes estadual e municipais, Professores da rede pública estadual e das redes municipais de ensino.

Ingressos aqui.

Para maiores informações, visite o website ou Facebook.

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