dever1
Por Fabiana Ribeiro
Dia desses, contava num almoço que meu filho mais velho digitara no computador, em letras maiores, um dever para meu caçula. E que isso não aconteceu uma ou duas vezes, mas várias vezes em que a adaptação de seu material escolar estava aquém de suas necessidades. Frisei, na conversa, o quão importante era uma fonte aumentada para o aprendizado de quem tem baixa visão. E o quão simples era esse tipo de adaptação, a ponto de uma criança de, então, 8 anos ser capaz de fazê-la. Finda minha fala, eis que um jovem que participava da conversa diz:
– Nossa, para o Pedro, isso é maravilhoso.
Confesso que, se a pessoa não fosse da família, consideraria que ela havia se enganado de filho. E, ignorando a minha surpresa, ele continua:
– Essa atitude vai ajudar na formação do Pedro como cidadão.
BINGO!
É claro que ele reconheceu que o dever ampliado permitiria o aprendizado. É claro. Mas não foi isso que ele destacou na minha breve história. Tampouco foi no caminho mais fácil (ou na armadilha corriqueira) de dizer que o bondoso-irmão-mais-velho-ajudava-o-coitado-do-irmão-mais-novo. Nada disso. Sem olhar de misericórdia, sem olhar de superação. Sem bonzinhos ou meninos maus. Apenas o olhar reto e correto de enxergar o outro e, de alguma forma, se sentir responsável também. Só isso.
É disso que se trata esse movimento. De mostrar que todos ganham com a inclusão. E, num momento de mudança de paradigma nas escolas, esse argumento precisa ser dilatado: uma escola diversa e plural cria seres humanos melhores. E não é disso que a humanidade mais carece?
Então, um pedido. Reflita na fala desse jovem. Reflita. E responda: quem mais saiu ganhando quando um se responsabiliza pelo outro? E a reposta é simples: os dois. Agora, reflita em sua vida, em sua rotina. E pense em que momentos você deixou de se importar com outro. E, ao contrário, quantas vezes um gesto bacana (como ensinar algo para alguém ou mostrar onde fica a rua tal ou ajudar alguém que caiu a se levantar) transformou o seu dia. E, assim, tenha a certeza de que um mundo em que todos se importam é um mundo bom pra todo mundo.
Reflita. E passe adiante esse valor.

Um comentário em “Maravilhoso para quem mesmo?

  1. Depois de alguns dias ausente volto a ler os artigos deste corajoso e perseverante trio ! Bravo para as três !
    Meninas, neste fds revi o filme Zootepia da Disney com netos e acabei também comprando um livro em quadrinhos do Zootepia. Quem ainda não viu vale a pena ver ou ler porque a heroína do filme , a coelhinha policial q se chama Judy Hopps tem como mote o lema de vocês. e q está mais uma vez no artigo acima:
    Disse a coelhinha :”E quanto mais tentarmos entender uma ao outro, mais excepcional cada um de nós será “.

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