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DESCRIÇÃO DA IMAGEM: a foto traz Dom Orani, de óculos, vestindo batina verde com detalhes em dourado e com as mãos cruzadas. O fundo está desfocado.

Por Ciça Melo

Após vivenciar um episódio de violência na cidade no Rio de Janeiro neste mês de junho, o cardeal Dom Orani Tempesta declara, recentemente, que a sociedade está doente. E prossegue: “há um tecido social doentio. E isso acontece tanto no aspecto ético, como também moral, como também social e como também na questão da segurança. É necessário reconstruir essa nossa sociedade”, afirmou o cardeal. Essa fala do arcebispo me provocou questionamentos sem-fim e me levou a lhe enviar uma mensagem por quatro canais disponíveis (Facebook, site, e-mails) e a escrever este artigo.
Compartilho dessa sensação de que há uma crise nos valores atualmente, mas, assim como Dom Orani, estou disposta a construir, “de mãos dadas”, uma “sociedade justa, humana, solidária onde todos tenham dignidade e vivam com dignidade”. Mas seriam os nossos caminhos divergentes?  Ou nossa definição do que vem a ser uma sociedade justa e digna é antagônica? Será que esse “todos” do arcebispo é diferente do meu “todos”. Porque, para mim, não há sociedade justa e digna sem igualdade de oportunidades para todos, para todos mesmo. Sem exceção. 
 
O ponto é: como podem tantas escolas católicas da cidade do Rio de Janeiro prosseguirem recusando matrículas de crianças com deficiência? Como podem colégios que agem sob a moralidade cristã fechar suas portas para milhares de indivíduos: há algum fundamento bíblico para esse posicionamento? Já era claro na Constituição e foi ainda mais explícito na Lei Brasileira de Inclusão (em vigor este ano) de que as escolas são obrigadas a receber crianças com deficiência. Entretanto, tantas escolas católicas continuam com suas portas fechadas. Construir uma sociedade com valores morais consistentes não implica seguir a lei? No entanto, se nas normas do estado laico isto é claro, pra mim, isto é ainda mais claro nos preceitos católicos. Posso estar enganada, talvez haja algum outro entendimento dos desejos de Deus, que infelizmente ainda não alcancei. 
 
Assim, caso um dia leia esse artigo, Dom Orani, me ajude. Por favor, me ajude a entender o porquê desta recusa ou me conceda uma explicação que justifique tal atitude. Porque eu, católica assumida e praticante, não entendi.

2 comentários em “Uma pergunta a Dom Orani

  1. Eu não sabia q os colégios católicos estariam com mais resistência ! É impressionante !
    Se o Papa atual tomasse conhecimento disto faria logo uma homilia a respeito num domingo destes… Não custa tentar …

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