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DESCRIÇÃO DA IMAGEM: a foto traz grupo de pessoas sentadas, em formato de roda, observando Ciça Melo, que está de preto, falando em pé para esse público no fundo da sala

Por Fabiana Ribeiro

Professor, diretor de escola, mediador, universitário, terapeuta e família. Esse era o retrato das cerca de 50 pessoas que estavam na última quinta-feira, na ABBR*, no Jardim Botânico, na Roda de Conversa sobre inclusão organizada pelo Paratodos e pelo EMI. E, certamente, o que pode-se dizer é que, com o crescente interesse no tema, essa roda está ficando apertada. Especialmente quando se observa que uma parte desse público, por menor que seja, representa famílias sem filhos em situação de inclusão.
Ao longo de duas horas, foram discutidas as mudanças que a nova legislação, que entrou em vigor a partir de 2016, provocou nas escolas. Os temas mais abordados entre os participantes foram: mediação, adaptação de material e curricular, relação família e escola, negação de matrícula, concentração de alunos em poucas escolas, entre outros tantos assuntos. O grupo compartilhou experiências exitosas, dificuldades e caminhos para colaborar na inclusão escolar. De lá, ninguém saiu com manual, ideias inusitadas, formulas mágicas ou uma roda nova. Mas todos saíram com inquietações – pulgas que nos fazem andar para frente.
Porém, não se engane. Essa troca somente trará mudanças na realidade de nossas crianças se olharmos para o lado e entendermos que o problema de aprendizado de um aluno da turma é problema de todos. E, por causa de um, seja lá como ele for, tímido ou cego, loiro ou amputado, autista ou extrovertido, vale repensar toda a forma de se ensinar. Exercício complicadinho.
Também ficou bastante claro que, ainda que toda uma cadeia de profissionais e parentes seja fundamental para a roda da inclusão girar, são as famílias – em situação de inclusão ou não – que vão dar o ritmo das mudanças nas escolas. Como? Unindo forças. Montando grupos de apoio. Conversando, em tom de parceria, com a escola. Provocando mudanças efetivas. E, principalmente, demandando da escola um comprometimento genuíno com todos os seus alunos. Todos.
Então, levante-se da cadeira educadamente, mas com a firmeza que se tem quando se sabe para onde se vai – mesmo que não se saiba. E, principalmente, pare de esperar que a solução para o aprendizado de seu aluno ou de seu filho caia no colo. Pois, não vai cair. Mexa-se, que essa roda está ficando apertada. Ainda bem.
* O Paratodos agradece o apoio da ABBR que cedeu espaço para a realização do evento.

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