Tradução livre de Eliane Cunha*

 

LAWRENCE, EUA. Um estudo conduzido pela Universidade do Kansas (UK) deu voz à perspectiva dos alunos sobre a educação inclusiva. E o resultado aponta que os estudantes – com ou sem deficiência – não somente são a favor de um ensino aberto a todos, como também reconhecem o valor de um ensino que respeita a diversidade. A pesquisa foi desenvolvida a partir de grupos de discussão com 86 alunos de seis escolas identificadas como exemplares da prática inclusiva, segundo o Centro SWIFT (Schoolwide Integrated Framework for Transformation) da UK — instituição que apoia escolas na hora de criar condições para que todos aprendam juntos, em salas de aula misturadas e com apoio especializado para quem precise.

Segundo a universidade, alunos com e sem deficiência participaram de entrevistas sobre como são seus dias na escola e como interagem com professores e colegas. E as entrevistas apontaram que estudantes se sentem fazendo parte de uma comunidade de aprendizado inclusiva e ligados a seus professores e colegas. Eles consideram a cultura escolar positiva e reconhecem o efeito da inclusão. Também eram bem conscientes das práticas usadas pelas escolas inclusivas, tanto na sala e aula quanto na escola. Além disso, perceberam que as expectativas acadêmicas sobre eles eram altas e descreveram que tiveram apoio para responder a essas expectativas elevadas. Pesquisas anteriores já haviam demonstrado que os resultados acadêmicos de estudantes nas escolas inclusivas melhoram quando é oferecido um suporte eficiente em sala de aula.

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FOTO DE MARIANA PERRI. DESCRIÇÃO DA IMAGEM: a foto traz uma série de lápis de cera coloridos e misturados. Alguns deles estão quebrados. 

 

– Nós também achamos que era de vital importância obter as perspectivas de ambos os estudantes, com e sem deficiência. Se vamos falar honestamente sobre inclusão, às vezes os alunos têm mais insights (“sacadas”) do que nós – disse Karrie Shogren, professora adjunta de educação especial e codiretora do Centro de Deficiências do Desenvolvimento da UK.

O fato de os alunos terem reconhecido e interiorizado a mensagem da inclusão refletiu nos trabalhos das escolas. Um aluno sem deficiência chegou a dizer a respeito de sua experiência na escola inclusiva em que frequenta:

– Esta é uma escola onde ninguém pode ser perturbado ou julgado pelo que se é… nós temos uma variedade de bons, diferentes alunos, e somos únicos e criativos e determinados e responsáveis.

Os alunos também demonstraram compreensão sobre a inclusão e seus efeitos nos estudantes, acadêmica e socialmente. Os alunos sem deficiência descreveram como suas escolas enfatizam educar todos juntos. Muitos ainda apontaram os aspectos positivos do modelo, incluindo poderem ajudar seus colegas academicamente, receberem mais ajuda para eles mesmos e aprenderem a socializar com pessoas diferentes.

– Todos os estudantes, com e sem deficiência, identificaram maneiras como a inclusão os ajudou em seu aprendizado – disse Shogren. – Isso é fundamental. Queremos que todos os alunos se beneficiem, e esses estudantes perceberam benefícios significativos. Também queremos que os alunos ajudem uns aos outros. Uma parte crítica de uma inclusão significativa é garantir que estudantes com deficiências tenham oportunidades de assumir papéis e responsabilidades acadêmicas e sociais.

Estudantes de todos os grupos de discussão também mostraram que as práticas nas salas de aula de suas escolas são únicas. Muitas salas usam ensino em conjunto e dispositivos tecnológicos para ajudar os alunos. Estudantes narraram os aspectos positivos de ter mais de um professor presente, já que o segundo professor muitas vezes podia ajudar os alunos quando o outro professor estava ocupado.

– As crianças perceberam a “individualização”, ou garantir que todos os alunos tenham a ajuda de que precisam – falou Shogren. – Eles queriam que todos e cada um dos alunos recebessem o que precisam, e não que as ajudas fossem limitadas a certos grupos de alunos.

O estudo traz à tona não só a tão comumente ignorada perspectiva dos alunos, mas também oferece uma direção para futuras pesquisas e técnicas na implementação de práticas inclusivas nas escolas. O fato de que os alunos conheciam e podiam comunicar claramente os aspectos da educação inclusiva que funcionava pra eles mostra que a perspectiva dos estudantes deve ser considerada ao desenvolver e incorporar avanços educacionais, argumentaram os autores. Como outra prova no crescente conjunto de pesquisas demonstrando que a educação inclusiva beneficia todos os alunos, ele acrescenta um conjunto de evidências mostrando a importância de se considerar todos os alunos.

– Essa não é apenas uma questão sobre deficiências. É sobre dar a melhor educação e apoio para todos os estudantes – disse Shogren.

* Texto baseado no artigo publicado originalmente no site da Universidade do Kansas (UK). Para ter acesso ao texto original em inglês, clique aqui.

Um comentário em “Juntos todos aprendem mais

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