Numa das recentes palestras que o Paratodos fez numa escola, uma professora sinalizava que concordava com o que lhe era apresentado. Parecia compreender a importância de seu papel para incluir cada um de seus alunos. E se mostrava disposta a quebrar suas próprias certezas. Atenta a cada palavra, um ponto estava claro: ela precisava de ajuda.

059_PARATODOS_marianaperrifotografia
Foto de Mariana Perri. DESCRIÇÃO DA IMAGEM: a foto, em preto e branco, mostra uma mulher de costas e cabeça baixa, pendurada em tecidos

“Eu simplesmente não sei o que fazer” – desabafou.

E chorou. Chorou com uma sinceridade de quem tem a consciência da própria relevância na vida de seus alunos. Chorou como se culpasse por tantos erros do caminho. Chorou com a humildade tão intrinsecamente ligada ao saber.

Suas lágrimas – traduzidas aqui como um pedido de socorro – estão longe de secar. Infelizmente. Afinal, é dura a vida da bailarina. Especialmente quando a família joga para a escola as suas próprias responsabilidades – e isso acontece à beça por aí e não apenas com alunos em situação de inclusão. Não se surpreenda mais com um costume, assim, tão banal entre as famílias: delegar. Pode ser por medo. Pode ser por covardia. As vezes, é cansaço. Noutras, pura preguiça.

Segure o pranto, professora – ainda que o choro também seja nosso. Tem muita gente envolvida no processo de inclusão do seu aluno. Tem a escola. Tem a família. Tem os terapeutas. Tem você, que segura o rojão nas manhãs ou nas tardes de segunda a sexta. Mas você não é pouca coisa não. E, até por isso, seque as lágrimas porque inclusão não tem receita, não tem manual. Faça o que você está fazendo: prepara-se. Faça cursos, leia livros, colecione histórias de sucesso da internet, envolva-se mais e sempre. Porque os alunos estão entrando e não vão esperar que você fique mais calma. A hora é agora. E o aluno são esses que te esperam dentro de sala. Os dados foram lançados…

O desafio de incluir é mais complexo do que teoria da relatividade em mandarim arcaico. Porque envolve gente e, como se sabe, o ser humano é bicho complexo. Seu choro, no entanto, nos leva a acreditar que um aluno não passa incólume por um professor de verdade. Significa que alguém se importa. Traz a esperança da luz do túnel. Sofre. Professor também chora. Fato. Mas não desiste. (Fabiana Ribeiro).

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s