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DESCRIÇÃO DA IMAGEM: a foto mostra uma reunião na Câmara dos Vereadores 
Logo ao chegar na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, no último dia 4 de abril, encontrei uma fila no lado de fora. Um segurança perguntava a todos “contra ou a favor”  e, assim, designava para onde você deveria se encaminhar após o cadastro. Assim, separava o joio do trigo em galerias diferentes. Segundo eles, para evitar confusões.

O objetivo da audiência pública era discutir o Plano Municipal de Educação. Apesar de se chamar plano, é uma lei. Uma lei que prevê como a cidade vai trabalhar a educação nos próximos dez anos. O relator informou logo na abertura que estamos atrasados em mais de um ano para aprová-la.
Na abertura, o vereador Paulo Messina colocou que, na última audiência, alguns membros da galeria tiverem que ser retirados em função do tumulto. Explicou ainda que esta era a medida mais extrema e, por isso, solicitou que todos tivessem mais tolerância. Explicou que as manifestações deveriam ser ao final das falas e que “deveríamos ouvir os amiguinhos” (foi a sensação que me deu ao ouvir a fala). Parecia desnecessário, mas, logo pude perceber, não era.
Entendi, então, que a pergunta na entrada era em função da ideologia de gênero. Entretanto, não era apenas a questão da ideologia de gênero que estava em discussão. É todo um plano.
A professora Katia Moura (coordenadora do plano) esclareceu o processo, lembrando que o plano havia sido amplamente discutido. “O plano não é da Secretaria e de todos. Deve ser construído coletivamente. Obviamente, com orientações técnicas. Mas todos devem participar. Diferentes representantes de diferentes áreas da sociedade”, disse ela. Falou ainda que o plano atual tem vigência até 2018.
‘Como podemos discutir o plano sem a presença do secretário?” – lembrou um dos participantes do encontro. Na minha opinião, isto deveria ser o mais importante. Ausência marcada. Mas passava batido.
Precisamos pensar em como vamos participar de processos como este. No fundo, não sabemos participar da vida pública e comunitária. O que víamos lá eram pessoas que nem sequer leram o plano e que tomavam posições sobre ser contra ou a favor. “Discurso de ódio” não é opinião – resumiu um participante.
Outro comentou, com toda razão: “Estamos aqui como se fossemos uma torcida de futebol. Uns gritam fascista e outros família – como se fosse um Fla-Flu.”
Alguns pais conseguiram a palavra e pediram atenção a causa da inclusão. Ninguém pareceu se importar. Nem educadores, nem católicos, nem evangélicos. E assim, a inclusão fica cada vez mais invisível.
Não deve ser por coincidência que os seguranças sentaram as pessoas que estavam lá para falar de inclusão ao lado daqueles que defendiam a ideologia de gênero.
O único momento que nos uniu foi o minuto de silêncio proposto pelo vereador Tarcísio Motta (Psol) em homenagem à aluna Maria Eduarda, assassinada dentro de uma escola público há poucos dias. Neste momento todos se levantaram e se silenciaram. Será que precisamos de uma morte para nos unirmos? Não precisamos concordar, mas precisamos dialogar. (Texto e Foto de Ciça Melo)

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