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ILUSTRAÇÃO DE JOANA FIGUEIREDO DESCRIÇÃO DA IMAGEM:  a ilustração mostra uma menina sentada no chão com o rosto coberto pela cúpula de um abajur, de onde saem estrelas, planetas e buraco negro. 

O começo do outono também marca o fim do primeiro bimestre nas escolas. Enquanto as temperaturas caem lá fora, as provas invadem as salas de aula. Em alguns colégios, boletins já foram até entregues a seus alunos. E, no livro da vida da internet, lá vêm as mães mostrando as cartas que mandaram para os filhos: umas enaltecem seus gênios da família; outras pedem mais esforço e comprometimento; e há aquelas que garantem que o resultado não importa, vale mais é “o amor que nos une”.

Mas, se a hora é de fazer um balanço dos primeiros meses na escola, será que na pizza do fim de semana não haveria espaço para que se faça àquele filho – não ao aluno –, mas ao filho, uma simples perguntinha: o que você acha da sua escola? É preciso perguntar sem medo da resposta.

E não sejamos rasos no diálogo. Deixe a criatura falar. Deixe contar casos, entre no mundo do seu filho. Esqueça um pouco a teoria de Pitágoras ou as orações subordinadas adverbiais. Isso não importa tanto. Melhor saber como o professor de química conquistou a atenção da turma. Mais importa entender porque o João é sempre o zoado da turma. Ou porque Maria foi a única da classe a não receber o boletim. Muito mais surpreendente saber que seu filho não se calou diante de uma injustiça de um professor.

Nessa hora, a gente vira pai de verdade. E, de quebra, descobrimos nas conversas histórias que jamais saberíamos. E vemos um filho que talvez jamais enxergaríamos. Sem falar na escola que temos a oportunidade de ver por dentro e com outros olhos.

Perguntar não significa mudar de escola. Nada disso. Significa apenas saber a opinião do seu filho – e respeitá-la. Muitos pagam milhares de reais por anos numa escola e sequer sabem a verdadeira opinião que o filho tem acerca do próprio investimento. Mas o boletim, ah, esse vira quase foto de perfil no Facebook.

Aproveite o outono. E converse com seu filho. Se funcionar, repita nas próximas estações. (Fabiana Ribeiro)

Um comentário em “As folhas caem e os boletins chegam

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