DESCRIÇÃO DA IMAGEM: a foto mostra um ambiente em que se destaca uma frase em inglês e em neon verde: “Connect to something greater!”

Nunca pensei muito em inclusão. Mesmo depois de ter um filho com necessidades específicas, sempre me preocupei mais com suas questões do que com demandas do coletivo. É o meu jeito mesmo. Não tenho muito tempo. Trabalho 10, 12, 13 horas por dia. Escolho as minhas batalhas.

Mas, ao longo dos últimos anos, a inclusão é um assunto aqui de casa. Lógico. Eu entro na conversa, por tabela. De todo jeito, me envolvi mais. Hoje, não vou dizer que sou um cara super inclusivo, pois não sou, preciso reconhecer as minhas limitações, mas sei que sou capaz de pensar mais no outro e me consternar com episódios de exclusão por aí.

O fato é que fiquei pensando sobre o que faz um indivíduo ser ou não ser inclusivo. Então, observo, de perto e de longe, grupos engajados com a inclusão. Essas pessoas, com seus ativismos e inquietudes, são diferentes. Talvez seja isso que tenham em comum com as próprias pessoas com deficiência. Elas não são mais um na multidão. Diferentemente de mim, essas pessoas engajadas são diferentes. Elas inspiram outras e mudam quem está do seu lado.

Esse grupo que tem trazido conquistas no campo do direito à cidadania fazem mais do que se importar com o outro. Eu me importo, mas daí a agir, me mexer, é outra coisa. Essas pessoas não trazem o olhar da pena, trazem o olhar da consciência. Disseminam mais do que informação: espalham uma espécie de nova cultura, buscam estabelecer um novo padrão de comportamento.

Eu não sei. Mas ouso dizer que se eu não tivesse uma mulher que olhasse a inclusão, eu não olharia. Ela me provoca a pensar, me cutuca, me questiona. Faz isso comigo e com as crianças. E isso me transforma todos os dias. É como se esse trabalho de conscientização tivesse me desbloqueado. Ainda uso termos errados, por vezes me vejo com olhar preconceituoso para ela, mas estou mais atento.

Tudo isso para dizer que sozinho eu não conseguiria mudar. É esse grupo de pessoas – diferente, fora dos padrões – que nos provam por A + B que o mundo é para todos mesmo. (Magno Trindade)

2 comentários em “A lição que vem do outro

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