Aqui, na Tunísia, não tem como não pensarmos no passado. E um passado bem remoto. A história da civilização árabe está na arquitetura, na cultura, no modo de viver. Nesse país milenar, pude aprender que a questão da deficiência não é de hoje. Longe de ser antropóloga, historiadora, arqueóloga, sou apenas uma turista curiosa que foi visitar, na cidade de Sbeitla, um sítio arqueológico que, segundo estudos, deve ser de dois mil anos atrás. E, lá neste local tão antigo quanto distante da minha realidade, me deparo com uma rampa ao lado da escada. Impossível não me ver refletindo que as pessoas com deficiência não são uma invenção da modernidade: elas existem desde os mais remotos tempos.

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DESCRIÇÃO DA IMAGEM: a foto mostra uma escada (do lado esquerdo) e uma rampa (à direita) feitas de pedra. A foto é num centro arqueológico na Tunísia.

Essa simples imagem me transportou para as conversas e reuniões que temos com tantos educadores. E, no meio desses encontros, inevitavelmente aparece o discurso de que “nós não estamos preparados” para trabalhar com inclusão. Uma observação que tem como resposta a minha triste fala: “sem problema, congelamos as crianças com deficiência e aguardaremos até que todos estejamos preparados”.

Até quando esse discurso prevalecerá em detrimento a arregaçar as mangas e se empenhar para incluir cada um dos alunos da escola? Essa desculpa vai de encontro a uma outra situação. Recentemente, recebi o currículo de uma professora. Me chamou atenção que, em 1972, ela já tinha participado de um curso sobre “Transtornos de Aprendizagem”. E, dois anos depois, de um outro sobre como lidar com crianças superdotadas.
Cursos, palestras, especializações sempre existiram. Hoje, naturalmente, o profissional que quer se capacitar encontra no mercado uma série de programas de formação. E as escolas, por sua vez, também podem oferecer treinamento à sua equipe. Inclusão não é mais novidade.
Pessoas com deficiência sempre existiram, como bem me mostra essa viagem pela  Tunísia. O que fazemos com esses indivíduos é a questão. Eliminamos? Segregamos? Congelamos as crianças? Ou criamos rampas lado a lado dos degraus do aprendizado? (Ciça Melo)

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