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DESCRIÇÃO DA IMAGEM: a ilustração traz o símbolo de áudio (microfone) num balão verde, em referência ao whatsapp
Ok! Já sei que hoje em dia enviar áudios pelo whatsapp é algo corriqueiro. E, num mundo onde a gente vinha teclando mais do que falando, podemos dizer que isto talvez seja até uma evolução. Pelo menos, voltamos a ouvir vozes.

Obviamente, eu também recorro aos áudios inúmeras vezes ao dia. Foi assim que, no mês passado, no meio de milhões de coisas que eu fazia naquele dia, Letícia me enviou uma mensagem e eu não pensei duas vezes: gravei minha resposta e enviei. Em seguida recebo a mensagem: “eu tenho deficiência auditiva! não consigo ouvir áudios 🙂 pode escrever por favor? hahahaha”

Sem graça foi pouco. Fiquei passada. Não sabia o que responder. Constrangida com tamanho furo.

Sim, Letícia tem síndrome de Usher – uma síndrome onde a pessoa nasce surda e perde parcialmente a visão ao longo da vida. Eu a conheço desde a sua infância. Sua mãe trabalhava comigo numa agência de publicidade. E, como toda criança, adorava acompanhar a sua mãe no trabalho quando, por algum motivo, não ia à escola. Eram nestes dias que ela ficava na minha mesa desenhando. Sempre adorei crianças.

Voltando ao zap, sim, eu tinha que voltar, não tinha jeito. Pedi desculpas e bola pra frente. Letícia – uma querida – não perdeu o rebolado e ainda me disse que acontece sempre.
Talvez pudesse acontecer menos, se a gente prestasse mais atenção ao outro.
Lembrei logo que Letícia havia me contado quantas vezes os professores esqueciam que ela precisa ler os lábios e se viravam para o quadro. Ela sempre frequentou escola regular e hoje está se formando em design pela PUC Rio. Assim, foram muitos professores que tinham uma aluna surda pela primeira vez.

Mesmo que algumas vezes venhamos a nos esquecer (até porque estamos prestando atenção na pessoa e não na deficiência), precisamos estar conscientes de que estes furos precisam ser poucos. Precisamos estar atentos às necessidades dos outros. E abertos para perguntar o que e como fazer quando não soubermos. (Ciça Melo)

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