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DESCRIÇÃO DA IMAGEM: Trata-de de uma montagem a partir de uma foto em que aparecem centenas de pessoas atravessando, na faixa de pedestres, a rua. No meio desta foto, foi colocada um desenho, feito de pilot azul, de uma mulher com as mãos na cabeça, demonstrando incômodo. A ilustração é de Joana Figueiredo.

Desde que fui convidada e ingressei no Paratodos, as pessoas não se cansam de perguntar: o que o seu filho tem? Não me incomodam a curiosidade dos outros ou mesmo o fato de, eventualmente, imaginarem que ele tenha alguma deficiência.
Porém, me incomoda, e muito, o fato de as pessoas ficarem surpresas ao saberem que ele não tem qualquer deficiência. O que me espanta é o olhar de admiração, como se somente fosse “justificável” me engajar num movimento que visa a promover a inclusão de pessoas com deficiência, se o meu filho apresentasse essa condição.

Ora, o ativismo não pressupõe que seja exercido apenas por autodefensores. Para mim, o ativismo não deveria ser praticado somente pelas pessoas envolvidas direta ou indiretamente nas causas que defendem. Não pode haver engajamento a uma causa simplesmente porque ela é justa? E, no meu caso específico, simplesmente porque não concordo em deixar ninguém para trás … porque não aceito que não sejam oferecidas a todos iguais oportunidades de se educarem e viverem suas vidas de forma plena … porque entendo que a educação deve ser garantida a todos e não somente a alguns? Esses não são motivos suficientes para apoiar e lutar pela inclusão de todos?
Parece que, para alguns, não …

Aí, me lembrei de uma frase famosa de Martin Niemöller* que está reproduzida no Museu do Holocausto em Washington:

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DESCRIÇÃO DA IMAGEM: A foto traz, em inglês, a frase de Martin Niemöller, exposta numa parede do Museu do Holocasto.

“Primeiro, eles vieram pelos socialistas, e eu não protestei – porque eu não era um socialista.

Então, eles vieram pelos sindicalistas, e eu não protestei – porque eu não era um sindicalista.

Então, eles vieram pelos judeus, e eu não protestei – porque eu não era um judeu.

Então, eles vieram por mim – e já não havia mais ninguém para protestar por mim”.

 

Não, meu filho não tem deficiência, mas, sim, eu me importo, eu fico indignada, eu protesto, eu reclamo e eu luto pela inclusão. Eu não me omito! (Flavia Parente)


* Martin Niemöller era um alemão e pastor luterano.  Apoiou inicialmente o nacionalismo social, mas que foi, mais tarde,  preso por se opor ao regime de Hitler. Em 1966, recebeu o Prêmio Lênin da Paz. Desde a década de 1980 tornou-se conhecido pela sua adaptação de um poema Vladimir Maiakovski, “Quando os nazistas vieram atrás dos comunistas“.

 

 

Um comentário em “Por que a surpresa?

  1. Flavia, que bacana seu texto e sobretudo seu interesse. Fiquei aqui refletindo e me parece que afeta SIM a todos: diretamente ou indiretamente. Acesso as mesmas oportunidades é direito de todos e penso que deveria a todos interessar. A desigualdade, seja como se apresentar, afeta aos de olhos abertos, e aos que ainda os mantém fechados para a única saída que me parece viável como caminho de transformação do mundo no local que desejamos viver. Que bom ver pessoas de olhos abertos mobilizadas neste sentido! bjss

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