DESCRIÇÃO DA IMAGEM: a foto mostra algumas mãos levantadas, tendo como fundo um céu meio alaranjado

Não importa qual seja a deficiência. Quando tratamos por direitos, não estamos falando de questões individuais. Ou seja: pouco importa se uma criança nasce com microcefalia, anda de cadeira de rodas ou tem Síndrome de Down. Importa, claro, para as famílias, seus amigos, parentes e médicos. Mas, em termos de direitos, pouco interessa a sua tristeza pela perda dos movimentos, a sua dor pela vivência em terapias e mais terapias ou a sua motivação pessoal em relação a um filho que nasça com alguma condição inesperada. A verdade é que a deficiência recai na seara da justiça social. E, se você chegou nessa estrada agora, bem-vindo à luta por direitos.

Não importa, por exemplo, se a mãe tem vergonha do filho. Ou se o pai foge ao saber do prognóstico do bebê. Tampouco se avó nega a deficiência do novo netinho. Triste, mas esse não é o ponto. Os problemas de dentro de casa são da família e apenas viram questão de Estado, quando há, por exemplo, violência doméstica ou negligência – mesma regra válida para qualquer criança, dado que as leis que protegem os pequenos estão aí para defender a todos, independentemente de deficiência ou não.
Daí que a deficiência ganha status de exclusão quando direitos ficam inacessíveis. Quando subir num ônibus vira o grande desafio do dia. Ou comprar entrada para o teatro se torna um périplo. Ou ter acesso à educação está mais para uma briga entre famílias e escola, muitas vezes com juiz no meio. Ou simplesmente ir ao banheiro no restaurante. Incontáveis são os casos em que pessoas com deficiência precisam lidar com restrições sociais ao longo da vida – leia-se: dificuldades para ações, muitas vezes, banais. Na dúvida, converse com alguém e descubra quantas situações triviais podem ser exemplos diários de complicações, constrangimentos ou de exclusão mesmo.
A deficiência não precisa ser sinônimo de negação de direitos – muito menos dos mais básicos. É a inacessibilidade – ou seria o descaso social? – que torna o indivíduo deficiente. Ou melhor: é uma sociedade deficiente que exclui a pessoa com deficiência. E isso vai se manter enquanto esta mesma sociedade não entender que a deficiência não é um problema de um indivíduo ou uma tragédia pessoal, mas sim uma questão de ordem social. E, sendo social, precisa ser encarada, de frente, por todos. (Fabiana Ribeiro)
 

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