Por Ciça Melo, Incluir para Crescer*

 

criancapipoca
DESCRIÇÃO DA IMAGEM: a foto mostra uma menina branca de cabelos castanhos claros de maria chiquinha. Cobrindo parte do seu rosto, deixando apenas os olhos castanhos à mostra, está um balde de pipoca.

Esta semana rolou no face e nos grupos de Whatszap um texto sobre uma mãe que pediu a retirada do pipoqueiro porque seu filho não pode comer pipoca todo dia. Vários posts vieram em seguida. A maioria criticando este pedido esdrúxulo e recomendando que esta mãe simplesmente deveria educar o seu filho.

A pergunta é: mais fácil eliminar as tentações do mundo do que educar um filho? Mais fácil pedir ao mundo que se adapte aos desejos de uma criança do que de todos? E isto pode parecer uma grande controvérsia. Não estou dizendo que não devemos olhar para o indivíduo. Mas, sim, que o desejo de um indivíduo não pode sobrepor ao da comunidade. Alguém pode querer pipoca, e aí?

Me lembrei de uma reunião na escola dos meus filhos onde a professora falava sobre o início do processo do dever de casa. E que, a partir daquele mês, toda terça-feira, os alunos levariam uma tarefa para casa. A mãe ao meu lado logo levantou o dedo e perguntou: “podemos trocar para quinta? terça não é um bom dia para mim.”

Eliminar o pipoqueiro, trocar o dia do dever são apenas alguns pequenos exemplos de solicitações que pedem que o mundo se curve ao indivíduo. Mas e quando este indivíduo tem alguma necessidade específica?

Ainda assim, vivemos em uma sociedade.  Não é porque temos uma criança com alergia à leite na sala que todos os outros não poderão tomar leite. Façamos o lanche do colega com suas restrições. Se uma criança precisa ficar em pé durante a aula, não preciso pensar em retirar todas as cadeiras, tampouco ela vai precisar ficar em pé na frente de todos. Olhar para o indivíduo, estar atento as suas necessidades especificas não significam ignorar o contexto em que ele está inserido. Podemos olhar o individual sem perder o universal. E esse é desafio para todas as famílias – com filho com ou sem deficiência.

Então, vai uma pipoca, aí?
*Texto originalmente publicado na coluna INCLUIR PARA CRESCER, do site da revista Crescer. 

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