A semana tinha sido tensa. A escola preparava a sua maior festa do ano: a Feira Literária. Fazia parte do grande evento o chamado Projeto Memória – em que cada um dos alunos do terceiro ano “escreve” um livro sobre a sua vida. Um projeto que requer muito trabalho, afinal cada aluno precisa “escrever” um livro sobre a sua vida, buscando lembranças e recordações.
Pedro* estava atrasado na produção de seus “capítulos”. Afinal, concentração não era o seu forte. Entretanto, o prazo final o fez focar na semana derradeira. E isto demandou uma atenção maior da sua professora e de seus auxiliares. A orientadora pedagógica falou com a família mais de uma vez naquela semana. Todos trabalhavam juntos para que Pedro conseguisse completar o seu objetivo.
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DESCRIÇÃO DA IMAGEM: a foto mostra a mão de uma criança segurando no dedo de um adulto

Sexta-feira, ele era só alegria. Tinha conseguido finalizar a sua obra! Estava orgulhoso. Porém, percebeu que tinha perdido todos os ensaios da apresentação de música – outro grande projeto da feira em que os alunos tocam flauta. Travou! Ficou triste. E se sentiu incompetente de novo. Ia falhar.

Sábado pela manhã. Um frio na barriga. Ele mostrou seu livro com muito orgulho. Por outro lado, dizia que não entraria na quadra com os colegas já que ele não tinha ensaiado. A mãe, sem saber mais o que propor, sugeriu que ele cantasse. Pedro retrucou que não sabia a letra. Nessa hora, a professora se aproximou. E a mãe deu um jeito de transparecer o que acontecia. A professora foi rápida: pegou na mão de Pedro com a firmeza necessária e o levou até a quadra. Lá ela se sentou ao lado do aluno. Abriu a letra da música no seu celular e junto com ele cantou a música.
Que técnica a professora usou com Pedro? Seria uma estratégia padrão para meninos que não sabem a letra da música da apresentação de fim de ano da escola?  Nada disso. A saída da professora não está nos livros de pedagogia, nem nos de psicologia. Pode até ser despertada em cursos de formação, mas a solução perpassa em olhar o aluno e ser sensível a ele.
Não sei de onde ela tirou a mágica do dia. Só sei que Pedro saiu da escola naquele dia que não cabia em si. O choro da tensão da semana se transformou em choro de alegria. (Por Ciça Melo)

* O nome da criança foi trocado.

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