Por Ciça Melo*

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DESCRIÇÃO DA IMAGEM: a foto mostra uma menina negra de cabelos presos brincando com uma letra. Ela coloca a letra A num dos olhos. Ela parece estar numa sala de aula, onde há dois desenhos infantis, pendurados na parede.

 

João tem 23 anos e é formado em gastronomia. Sempre estudou em escola regular. Atualmente, trabalha na sua área de formação e ganha seu dinheiro. Ele tem Síndrome de Down e é um orgulho para seus pais.

Pedro tem a mesma idade que João. Estudaram juntos, aliás. Pedro já começou três faculdades, sem terminar nenhuma delas. Ainda não trabalha, prefere terminar a graduação antes de procurar emprego.

Dois exemplos que me fazem pensar. Não é uma síndrome que determina quem você vai ser ou o que você vai fazer da sua vida. Seriam, então, os exemplos de casa? Bem, avancemos mais um pouco nas reflexões.

Maria, 25 anos, fez uma boa faculdade, mas ainda não está trabalhando. Seus pais sempre trabalharam, aliás, mesmo depois de aposentados continuam trabalhando.

Bia é mais nova do que Maria. Ela não terminou a faculdade, mas já está trabalhando. Preferiu começar cedo. O pai de Bia já se aposentou, não trabalha mais. A mãe, por sua vez, nunca trabalhou muito tempo num lugar e, até por isso, passava mais tempo desempregada do que empregada.

Nem Maria, nem Bia seguiram os passos dos pais. Então, qual a receita de sucesso dos filhos?

O fato é que encontramos muitos personagens por aí. Ouço sempre falas como “Fulano estudou nos melhores colégios e sua carreira nunca deslanchou”. Ou: “Ciclano não parava em escola alguma, não terminou a faculdade. Hoje é diretor de multinacional.” E ainda: “Beltrano era um dos piores alunos e se deu bem na vida”. Ops… não é a educação, então, uma garantia de sucesso?

Nem educação, nem genética, nem exemplo. O que é então? Uma mistura de tudo um pouco. É o jeito como valores como educação e trabalho são passados pela família. É a forma como o filho é criado (superproteção ou negligência?) e como a família participa da vida dos rebentos. É como a escola te encara: com respeito ou com descaso? É a maneira como o próprio sujeito se encara e também como lida com as adversidades que surgem no caminho. Lista sem fim.

Seria mais fácil pensar em sorte ou azar. Ou acreditar no destino. Sei não…

Eu vou misturando tudo na mesma panela e vendo no que vai dar. E, nessa receita, vou incluindo a educação que acredito. Passo os valores que me são caros. Oriento. Brigo. Contrario. E, claro, sempre e todos os dias, aprendo.


* Texto originalmente publicado, em 18/11/2017, na coluna Incluir para Crescer, do site da revista Crescer

 

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