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DESCRIÇÃO DA IMAGEM: a foto mostra um menino branco de cabelos curtos e claros de costas olhando para uma partida que parece ser de futebol.  Ele veste uniforme preto, com numero 9 impresso em branco, na parte de trás da camisa. 

 

É fim de ano e as festividades típicas da época começam a aparecer. É um amigo oculto pipocando aqui e ali, despedidas e torneios entre as turmas da escola. Como de costume, na escola do meu filho, teve torneio também. Ótima oportunidade para melhorar o entrosamento entre os colegas e selar aquelas amizades iniciadas lá no começo das aulas, que terminam por agora.

Meu filho estava SUPER empolgado! Escolher uma modalidade apenas entre futebol, vôlei ou basquete?! Nada disso! Disse que queria participar de todas! Empolgado era pouco para descrevê-lo. Você pode pensar aí que meu filho é daqueles craques que arrasam em tudo quanto é esporte, que faz o gol decisivo, que é o destaque nos bloqueios na rede e faz cesta de três pontos no final da partida de basquete. Mas não. Muito pelo contrário. Ele, por sua dificuldade de visão, nem sempre consegue acompanhar a trajetória da bola. Por sua deficiência intelectual, nem sempre consegue seguir as regras. Mas adora estar junto dos colegas, se esforça, vibra de alegria!
Este ano deu ruim. Não com a empolgação dele, que não faltou. Mas houve uma reação dos colegas em relação à sua participação. O time ficaria fraco, se o Rafael fizesse parte dele.
Não tenho dificuldades em entender que meu filho não tem um desempenho invejável no esporte e durmo bem com isso. E até consigo entender que as crianças queiram jogar para vencer. Porém, o que não me desce a garganta é o fato de educadores não aproveitarem a oportunidade para ensinar a todos que, sim, é ótimo ganhar. Mas não a qualquer custo. Não vale ganhar roubando, chutando o adversário, e não vale ganhar deixando um jogador de lado. Acredito piamente numa educação integrada em que todos os aspectos vivenciados dentro de uma escola são oportunidades para educar. Desde o que está à venda na cantina, passando pelo cuidado com o lixo, até as aulas e torneios da educação física.

Para educar é preciso aproveitar chances de ouro como esta para estimular a colaboração e promover o encontro entre amigos, fortalecer laços e desenvolver habilidades essenciais para nossas vidas. Não percamos nosso foco! Não podemos jogar fora uma oportunidade de cooperação em troca de uma competição onde a única coisa que importa é identificar e destacar os melhores, aqueles dignos de medalha. O resto não pode ser o resto.

2 comentários em “O que vale é mesmo competir?

  1. Bravíssimo! !!! Sou defensora ferrenha de que o esporte escolar NÃO deve ser confundido com “espaço para desenvolver potenciais atletas”. No máximo, o esporte escolar pode “descobrí-los”. Cabe, portanto, a uma secretaria de esportes elaborar e executar políticas públicas para o desenvolvimento do esporte de rendimento.

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  2. Carla, adorei seu texto. Há alguns dias conversava sobre isso com amigos, sobre a importância dos valores que podem ser transmitidos nas aula de educação física, cooperação, espírito de grupo, trabalho em equipe… Valores, enfim, que levamos pra vida! Os treinos e torneios são excelentes oportunidades para desenvolver tais valores, mas nem sempre são bem aproveitados. Uma pena!

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