balu
DESCRIÇÃO DA IMAGEM: ilustração é uma reprodução de uma cena do desenho da Disney (Mogli, o menino lobo). Na cena, Mogli está sentado com as pernas para trás olhando para Balu (o urso).

 

Dia desses, estava conversando com uma amiga, quando fomos interrompidas por uma senhora, que estava dentro de um táxi: “agora, vocês vão ter que trabalhar um pouco”. Eu e minha amiga nos entreolhamos, sem entender a situação.

A senhora nos disse: “preciso de ajuda para sair do táxi”. Imediatamente, nos prontificamos a fazer o que fosse necessário. A senhora continuou: “só preciso que fique aqui ao lado e que me dê o braço”. Não sabia exatamente como fazer e pedi que ela me orientasse sobre a melhor forma de sentir-se segura para andar. Explico – ela usava muleta e caminhava com alguma dificuldade. Ela sabia exatamente onde eu deveria ficar para que pudesse realizar os movimentos de sair do táxi, levantar-se, apoiar-se na muleta e subir o degrau da calçada. Parecia estar acostumada a conduzir o processo e eu, que nada sabia em relação às suas necessidades, fui apenas fazendo o que ela pedia. Deixei-me guiar – simples assim!

Quando já estava na calçada, explicou: “sempre venho aqui fazer compras! Vocês precisam conhecer os produtos desse rapaz – deliciosos”.

No meu afã de sempre querer ajudar, já estava me colocando ao seu lado para acompanhá-la até o ponto de venda. Minha amiga, mais atenta do que eu, lhe perguntou se ela precisava de companhia para ir até lá.

Ela nos olhou com alguma surpresa e disse que estava ótima, que não precisava de nosso auxílio, mas que deveríamos provar os maravilhosos quitutes.

Aprendi várias lições numa cena bastante singela e corriqueira e que durou apenas alguns minutos.

A pessoa que precisa de ajuda sabe a melhor forma de pedir. Então, por exemplo, se fosse uma pessoa com deficiência visual, ela saberia dizer como darmos o braço, de que lado deveríamos nos colocar, etc.

Outro importante aprendizado é que a pessoa que tem, eventualmente, alguma deficiência sabe a medida da sua necessidade de ajuda. E nosso auxílio deve ser apenas aquele necessário. Não é porque a pessoa tem uma dificuldade que ela é incapaz para tudo… E aí, devemos segurar nossos ímpetos de fazermos mais do que realmente a pessoa precisa.

Fiquei pensando na maneira pela qual tratamos as pessoas com deficiência, as crianças, os idosos… Tentar protegê-los, “poupá-los” ou fazer as coisas por eles é uma forma de não reconhecer o quanto são capazes …

Lembrei-me do ótimo conselho cantarolado por Balu para Mogli, o menino lobo, no antigo desenho da Disney: “necessário, somente o necessário; o extraordinário é demais…”.  Não subestimemos as pessoas. Esse é um exercício diário! (Flavia Parente)

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