Sempre falamos que, enquanto precisarmos usar a palavra inclusão, é porque ainda estamos distante de uma educação acessível – e agradável – a todos. Ou seja: incluir todo e qualquer aluno deveria ser o objetivo maior da educação. Deveria ser algo natural. Mas, como a realidade nos mostra, não é bem assim que a banda toca. Nem todos são alunos da sua escola.

Tudo que se organiza dentro da escola, como planos de aula, área dos parquinhos, espaço de quadras, é pensado para um tal “aluno”. Só que as escolas precisam reconhecer que existem, dentro de seus muros, grupos que não correspondem ao que chama de forma generalista de “aluno” – termo universal que, sem dúvida, deixa de fora uma parcela de estudantes. Pergunto: os planos de aula, provas, viagens ou quaisquer outras estratégias de ensino são montadas já incluindo quem não corresponde a essa média? A verdade é que os alunos em situação inclusão estão fora dessa concepção de igualdade a que o título “aluno” sugere. E, por isso, são desconsiderados quando um professor pensa na ementa da sua disciplina, no seu plano de aula ou no passeio de uma turma. São ignorados, tidos com invisíveis, deixados de lado.

Então, se há vários alunos dentro da categoria “aluno”, uma educação para todos não pode ser uma educação universal, moldada para o tipo mais comum de aluno. Afinal, há alunos diferentes com demandas diferentes – que também precisam ser respeitadas. Infelizmente, o modelo atual vigente nas escolas reafirma as desigualdades em sala de aula, aumentando as distancias entre os próprios alunos – e do professor. Confere espaço para propagação de preconceitos e abre brechas para o bullying. Sem falar na situação de isolamento com que muitas crianças e adolescentes precisam lidar no dia a dia.

A universalidade, insisto, reproduz a desigualdade. Porque não reconhece a existência de grupos que não atendem ao padrão, ficando à margem dos planos da escola. A esses alunos, a escola não iguala as oportunidades do aprendizado, em vez disso, lhes  tira autonomia, voz e reduz as possibilidades. Invisíveis, ficam sem espaço.

Não se pretende aqui, porém, que a escola não tenha parâmetros ou mesmo uma base mais comum para traçar suas estratégias mais gerais. Não, não é isso. Caso contrário, teríamos anarquias pedagógicas nos espaços escolares. Entretanto, o que se pretende é ressaltar a importância de incluir os alunos com deficiência nas estratégias mais gerais e corriqueiras da instituição de ensino. O que se reconhece como urgente (não esqueçamos que as crianças crescem) é que a categoria aluno possa incluir, de fato, os alunos com deficiência. Para que todos, sem exceção, possam se enxergar como aluno, possam se sentir efetivamente como aluno e possam bradar aos quatro cantos: eu sou aluno da minha escola. (Fabiana Ribeiro)

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