Fabiana Ribeiro*

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DESCRIÇÃO DA IMAGEM:  a foto mostra seis crianças brancas, que devem ter uns cinco anos, brincando num gramado verde. Elas estão. em fila, pulando obstáculos (feitos a partir de uma espécie de corda que cria retângulos no chão). Elas usam  casacos e calças. Crédito: Pexels/Lukas

Num desses feriados, minha família foi curtir os dias de descanso num hotel na praia. No paraíso privado, havia sombra, água de coco e recreadores. E, pela primeira vez, meus filhos (de 9 e 11 anos) se deixaram levar de verdade pelos chamados dos tios animados.

O dia tinha sido super divertido para todos. Eu precisei me controlar para não levar água para as crianças no meio das gincanas (do protetor eles não se livraram) e tive que me conter para achar natural meu mais velho solto pelo hotel. Um esforço, sem dúvida. Mas as crianças estavam felizes e contentes de terem se saído muito bem “por conta própria”.

No fim do primeiro dia, meu mais velho era só alegria. Novos amigos, novas brincadeiras, novos desafios. E, também, novos questionamentos:

– Mãe, por que dividem as brincadeiras sempre entre menino e menina?
– É o jeito mais fácil, eu acho.
– Ah, poderiam simplesmente dividir. É tão mais legal quando está todo mundo junto.

E juntos tivemos várias ideias. Misturar pessoas que correm muito com aqueles que correm menos. Cada um ganha um número e depois chamamos os números e grupos de formam. Escolhas aleatórias simplesmente. Foi uma conversa interessante. E o ponto do meu filho era sempre o mesmo: “fica mais divertido com gente diferente”. Sem querer, ele estava falando de inclusão.

Exemplos como esses acontecem aos montes não somente nas recreações de hotéis, como também nas escolas e nas festinhas do play. Já apareciam no já distante “Xou da Xuxa”, com seus berros de “quem vai ganhar? Menino ou menina?”. E até hoje é no que se baseiam as divisões mais corriqueiras dos grupos. Divisão por gênero. Ou melhor dizendo: divisão pela diferença, para tentar unir os iguais. Só que não. Afinal, somos mais do que meninos e meninas.

Sem dúvida, separar por gênero é mais rápido e prático (até quando? também não saberia dizer). E muitas vezes necessário – quando, por exemplo, estamos falando de competições esportivas. Mas essa praticidade perde em diversidade. E um grupo mais plural tende a buscar saídas para problemas ou desafios de forma mais plural também. A diversidade – seja no pique esconde ou na montagem de um navio usando legos – traz novas perspectivas. Traz a diferença como complementariedade e não como entrave. Uma lição que as crianças entendem bem. Mas que correm o risco de desaprenderem à medida que crescem. Só que isso nós não podemos deixar.

* TEXTO PUBLICADO ORIGINALMENTE EM 19 DE ABRIL DE 2018 NA COLUNA INCLUIR PARA CRESCER DO SITE DA REVISTA CRESCER

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