Por Flavia Parente

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DESCRIÇÃO DA FOTO: a foto mostra a mão de esquerda de um homem segurando a lente de uma câmera na direção de um mar, que é fundo da fotografia. CRÉDITO: Oleg Magni/Pexels

 

Depois que nos alfabetizamos, nunca mais passamos os olhos pelas palavras sem tentar ler. Depois que o olhar é alfabetizado para a inclusão das diversidades e, especialmente, das pessoas com deficiência, nunca mais subimos as escadas de um prédio sem procurar rampas; entramos num banheiro público, sem procurar um adaptado para pessoa com deficiência; passamos pelo corredor de um restaurante, sem nos perguntar se é largo o bastante para a circulação de uma cadeira de rodas; ou entramos no elevador sem notar que não há braile indicando os números dos andares… É como se enxergássemos o mundo sob novas lentes… é como se deixássemos de ser míopes…

Por outro lado, ao nos alfabetizarmos sob a ótica da diversidade, também valorizamos as conquistas: ao viajarmos de avião, percebemos que uma companhia aérea trocou suas escadas por rampas. E isso não é bom pra todo mundo? É lógico que é! Eu não uso cadeira de rodas, mas me deu um baita alívio não precisar fechar o puxador da minha mala de mão e carregar seu peso escada acima, lutando contra as leis da gravidade. Ao invés disso, continuei deslizando suas rodinhas com tranquilidade e conforto até a entrada na aeronave!

Uma outra preocupação é com oferecimento de diferentes opções de entretenimento durante a viagem de avião! Num determinado momento, sem conseguir dormir, olhei em volta e vi de tudo: gente assistindo a filme clássico; outros, ao último blockbuster; outros, aos antigos da década de 80; outros, aos “alternativos” argentinos, franceses, húngaros, tailandeses; outros estavam jogando ou vendo uma partida de basquete ou ouvindo música. Não há mais a imposição de vermos todos Titanic ou escolhermos entre os canais de música erudita, mpb, rock ou pop.  Assim somos nós: tão diversos em nossos gostos e formas de estarmos no mundo…

Outra surpresa que nos deixou felizes foi chegarmos no Museu Belvedere em Viena, e percebermos que o famoso “Beijo”, de Klint, pode ser apreciado por pessoas com deficiência visual. Não lhes é negado o acesso a este prazer! O Beijo está lá em todo seu esplendor em relevo para que cada detalhe seja sentido e percebido! E isso não é maravilhoso? Fiquei sorrindo sozinha, apreciando este cuidado com o outro!

Uma vez alfabetizados no universo da deficiência, nunca mais enxergamos o mundo da mesma forma: conseguimos ver o despreparo para o acolhimento das diversidades, mas também a beleza de saber que cada vez mais pensa-se em inclusão!

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